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Norte do distrito de Leiria incapaz de resolver sozinho perda de habitantes  

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Autarcas do norte do distrito de Leiria disseram hoje que sozinhos os municípios não conseguem inverter a diminuição de população e alertaram para a necessidade de medidas do Poder Central.

“Os números revelam que os municípios, ‘per si’, independentemente das estratégias de desenvolvimento implementadas, não conseguem combater este esvaziamento populacional”, afirmou à agência Lusa a presidente da Câmara de Alvaiázere, Célia Marques, eleita pelo PSD.

Treze dos 16 concelhos do distrito de Leiria perderam população nos últimos 10 anos, destacando-se, em termos percentuais, Castanheira de Pera (-17%). Este concelho, o de menor dimensão do distrito, que em 2011 tinha 3.191 residentes, tem agora 2.647 habitantes, segundo os resultados preliminares dos censos 2021, hoje divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

Na lista dos concelhos que mais residentes perderam neste distrito, a nível percentual, seguem-se Alvaiázere (-14,5%), Figueiró dos Vinhos (-14,2%) e Pedrógão Grande (-13,4%).

Alvaiázere tem, segundo esta última operação censitária, 6.227 habitantes, Figueiró dos Vinhos 5.296 e Pedrógão Grande 3.392 residentes.

Para Célia Marques, “tem de ser o Poder Central a criar medidas com impacto, diferenciadoras e únicas para todo este território”.

Referindo que Alvaiázere criou “muitas medidas de apoio às famílias, ao tecido empresarial e à criação de emprego para fixar população”, a autarca reconheceu, contudo, que, “ainda assim, não conseguiu inverter a tendência” de diminuição de habitantes.

Já o presidente do Município de Figueiró dos Vinhos, Jorge Abreu (PS), observou que “todo o Interior do país perde população”, pelo que “as medidas têm de ser nacionais”.

“Os municípios não conseguem individualmente. Têm de ser ajudados com medidas que não podem ser paliativas, mas com impacto forte no sentido de, primeiro, estagnar e, depois, inverter a diminuição da população”, declarou, defendendo medidas concertadas entre câmaras e Governo, “caso contrário continuar-se-á a trilhar o caminho da desertificação gradual do Interior”.

O presidente da Câmara de Pedrógão Grande, Valdemar Alves (PS), apenas disse que este “é o reflexo do abandono do Pinhal Interior”, remetendo para o seu discurso, no passado sábado, no Dia do Município.

Nesse dia, Valdemar Alves afirmou existir uma “minoria do Interior” que não conta para a estatística das legislativas e que o abandono do Pinhal Interior por parte do Poder Central é imperdoável.

“Constato que nesta nova era, em que a Humanidade cada vez mais acorda para a real necessidade de proteger o ambiente, mas também da igualdade e dos direitos civis, que a população do Interior de Portugal, abandonada pelo Estado Central, se transformou numa minoria discriminada, ignorada, negligenciada e sentenciada a ouvir do Poder Central promessas falsas e fantasias”, disse Valdemar Alves.

Considerando que o país é hoje governado por uma classe política com a qual não se identifica, Valdemar Alves assinalou: “Independentemente do partido, há uma discriminação que se acentua sobre aquilo que nós somos para eles, a minoria do Interior”.

A Lusa contactou a presidente da Câmara de Castanheira de Pera, Alda Carvalho (PSD), mas até as 17:00 não obteve nenhuma reação.

De acordo com o INE, globalmente, o distrito de Leiria viu diminuída nos últimos 10 anos a população, que era de 470.922 pessoas em 2011. A diminuição, de 2,6%, traduz-se em 12.243 habitantes, pelo que tem agora 458.679 residentes: 219.639 homens e 239.040 mulheres.

Dos 16 concelhos do distrito, três – Leiria, Marinha Grande e Óbidos – registaram subida da população.

Fazem parte deste distrito Alcobaça, Alvaiázere, Ansião, Batalha, Bombarral, Caldas da Rainha, Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos, Leiria, Marinha Grande, Nazaré, Óbidos, Pedrógão Grande, Peniche, Pombal e Porto de Mós.

Portugal tem 10.347.892 residentes, menos 214.286 do que em 2011, segundo os resultados preliminares dos Censos 2021.

Trata-se de uma quebra de 2% relativamente a 2011, consequência de um saldo natural negativo (-250.066 pessoas, segundo os dados provisórios).

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