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“Nem a doença pára o amor”: Laura nasce e pode ser a 1ª bebé portuguesa de mãe com Parkinson

NOTÍCIAS DE COIMBRA | 2 horas atrás em 12-03-2026

Imagem: Pedro Chagas Freitas

O nascimento de Laura, às 11:59 no Hospital de São João, no Porto, não foi apenas mais um parto.

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Representa o culminar de oito anos de incertezas, três tentativas de fertilização in vitro falhadas e um desafio clínico extremamente raro: uma gravidez bem-sucedida numa paciente com Parkinson precoce, mantendo a Estimulação Cerebral Profunda (DBS/ECP) e sem interromper a medicação da doença.

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O caso foi divulgado nas redes sociais pelo escritor Pedro Chagas Freitas, que destacou que “nem o Parkinson pára o amor”, emocionando milhares de pessoas.

A mãe, Daniela, diagnosticada com Parkinson aos 24 anos, enfrentou um percurso cheio de desafios. Para perceber os riscos de transmissão genética da doença, Daniela realizou análises que mostraram uma probabilidade mínima de ocorrência em uma eventual criança. Ainda assim, o caminho para a maternidade revelou-se complexo: a medicação necessária para controlar os sintomas poderia inviabilizar uma gravidez.

Após anos de tentativas, três fertilizações in vitro frustradas e cinco embriões criopreservados, o casal chegou a desistir do sonho de ter filhos. “Havia um cansaço profundo, uma aceitação irremediável”, relembra Pedro Chagas Freitas. Mas, pouco depois, o Hospital de São João contactou Daniela para retomar o processo.

Nesta última tentativa, Daniela manteve a medicação e confiou no dispositivo de DBS que já possuía. O teste de gravidez deu positivo a 22 de setembro de 2024, e Laura nasceu saudável às 11h59 do dia 16 de maio de 2025, apesar de uma greve de anestesistas.

Segundo o escritor, Laura poderá ser a “primeira bebé em Portugal nascida nestas circunstâncias” e uma de apenas quatro no mundo.

O caso foi documentado num estudo publicado no site ResearchGate, intitulado “Deep Brain Stimulation and Pregnancy: A Case Report”. O principal objetivo foi analisar os efeitos da gravidez num corpo com DBS, incluindo alterações hormonais, aumento do volume sanguíneo e crescimento abdominal, e como isso poderia afetar os sintomas de Parkinson.

O estudo concluiu que a gravidez de Daniela foi, em geral, tranquila, e que a combinação de DBS e medicação pode coexistir com uma gestação saudável, abrindo novas possibilidades para mulheres em idade fértil com doenças neurodegenerativas.

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