O filho da doente terminal que deitou no chão das urgências em Coimbra mantém a denúncia sobre a falta de macas nos HUC.
João, que trabalha em França e tirou uma licença sem vencimento para cuidar da mãe, denuncia as dificuldades enfrentadas durante o atendimento de urgência, especialmente a falta de macas.
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Em declarações ao Notícias de Coimbra, explicou que, ao chegar ao hospital com a mãe, na porta de entrada, pediu por uma maca, mas foi informado de que não havia. Foi-lhe oferecida uma cadeira de rodas, e dirigiram-se à recepção para fazer a inscrição. Lá voltou a solicitar uma maca para que a mãe, com dores intensas, pudesse ficar deitada. Nessa altura disseram-lhe para ir para a “sala de espera e ver se alguém consegue arranjar”.
“Não houve uma pessoa para nos ajudar”, diz ao nosso jornal.
Depois de perguntar a vários profissionais e de todos dizerem que não havia macas decidiu deitar a mãe no chão, posição em que a doente se sentia melhor. O filho relata que, após a mãe ser deitada no chão, a ajuda foi imediatamente prestada.
Em declarações ao nosso jornal, João criticou o que considera ser um erro de triagem. “Não consideraram o fato de a minha mãe precisar de estar deitada pela intensidade das dores”, disse, afirmando que o tempo de espera nunca foi uma questão.
O filho da doente terminal diz ainda que não culpabiliza os profissionais de saúde, mas defende que o problema é estrutural. “Deve haver uma maneira de ser mais humano no serviço.”
Sobre o esclarecimento da ULS de Coimbra, João afiram que este é “desumano” e que ficou “indignado”.
“Não somos atores, somos pessoas que trabalham para ter uma vida melhor.”, concluiu
A denúncia feita por João Gaspar gerou um grande debate nas redes sociais e a ULS Coimbra emitiu um primeiro comunicado a referir que ia ”abrir um processo de averiguações”.
Horas depois, a administração hospitalar afirmou que o relato divulgado pela família da utente não correspondia à verdade, baseando-se nos registos clínicos e nos testemunhos dos profissionais de saúde, seguranças e outros intervenientes presentes no local.
Lembre-se que o Notícias de Coimbra também falou com Alice Aleixo, tia da doente. Numa entrevista exclusiva ao nosso jornal, esta descreveu os momentos de angústia vividos.
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