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Política

“Não quero o eleitorado do Chega”

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O presidente do PSD, Rui Rio, assegurou hoje que não pretende captar o voto do eleitorado do Chega e chegou a invocar o seu passado de combate à ditadura para se distanciar da extrema-direita portuguesa.

“Não quero o eleitorado do Chega porque o Chega teve um vírgula poucos por cento, é uma coisa mínima. Neste caso, quero é manter eleitorado do PSD no PSD e não fugir para a extrema direita”, vincou o líder social-democrata numa entrevista à CNN Portugal que será emitida na integra a partir das 22:00 de hoje.

Depois de, no último congresso do PSD, ter utilizado o lema “Portugal ao Centro”, Rui Rio voltou a afastar qualquer hipótese de acordo com o Chega de André Ventura, mesmo que seja a única forma de alcançar uma maioria de direita após as legislativas, recordando mesmo o seu passado antifascista para se demarcar da extrema-direita portuguesa.

“Comecei nisto [da política] ainda antes do 25 de Abril, contra o Estado Novo, que tem o trajeto que tem, ninguém pode ter medo que aceite o que quer que seja de qualquer partido, de qualquer interesse, contra aquilo que são os princípios fundamentais da liberdade, do Estado de Direito, da solidariedade, do respeito pelas minorias”, assinalou na entrevista conduzida pela jornalista Anabela Neves.

O presidente do PSD fez mesmo questão de sublinhar que não tem qualquer simpatia pelo Chega, partido que conquistou 1,29% dos votos e quase 68 mil votos nas legislativas de 2019, elegendo um único deputado, o líder do partido, André Ventura.

Na entrevista, Rui Rio reafirmou, porém, a disponibilidade do PSD para negociar um acordo de Governo caso não haja qualquer partido a alcançar uma maioria absoluta.

“Todos devem estar disponíveis”, sustentou o líder social-democrata, que admite negociar com o secretário-geral do PS, António Costa, “ou com outro”.

“Ninguém está a dizer que é com o Partido Socialista. O que tenho dito é que, não havendo uma maioria absoluta, todos devem estar disponíveis para negociar”, esclareceu.

A entrevista ao presidente do PSD foi feita antes de António Costa ter afirmando à CNN Portugal que não negociará com os sociais-democratas acordos a dois anos, por considerar que o país precisa de uma solução de estabilidade a quatro anos.

Rio recorreu, por isso, hoje de manhã, à rede social Twitter para afirmar que nunca propôs qualquer acordo a dois anos.

“Nunca propus um acordo parlamentar por apenas 2 anos. Disse que devia ser de 4 e que se podia avaliar a meio. Aos 18 minutos da entrevista isso é claro. O Dr. António Costa e alguma comunicação social estão intencionalmente a distorcer o que eu disse”, escreveu Rio.

Apesar da disponibilidade para a negociação, o líder do PSD repetiu que “Bloco Central ninguém vai fazer”, aproveitando para assinalar aquelas que considera ser as suas qualidades e defeitos: “Se há virtude que eu tenha, é ser muito coerente. Se há defeito que eu tenha, é ser muito coerente”.

“A minha área de especialidade não é a negociação. Vou para uma negociação com três ou quatro pontos que são estruturais, depois há mais 10 ou 20 que a gente pode negociar”, explicitou.

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