Uma derrocada de grandes dimensões provocada pela chuva intensa cortou esta quarta-feira a Estrada Nacional 111, nas Meãs do Campo, apanhando autoridades e população de surpresa e gerando momentos de grande preocupação.
“Nada fazia prever uma situação desta dimensão”, afirmou o presidente da Junta de Freguesia das Meãs do Campo, Paulo Valente, que acompanha a ocorrência desde as primeiras horas da manhã. “Já tinha havido um pequeno aluimento há cerca de uma semana, mas foi algo praticamente insignificante.”
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A derrocada ocorreu numa zona marcada por solos instáveis, onde existe uma mina e uma nascente de água. A chuva persistente das últimas semanas acabou por saturar o terreno, provocando o colapso e criando uma cratera de grandes dimensões que arrastou toneladas de terra e lama para a via.
“O aluimento propagou-se por vários metros e acabou por invadir completamente a estrada. Foi uma situação muito complicada”, explicou o autarca.
Apesar da gravidade, o incidente aconteceu numa altura de pouco tráfego, o que evitou consequências mais graves. “Se tivesse ocorrido em hora de maior movimento, estaríamos hoje a falar de outro cenário”, sublinhou Paulo Valente.
No local estiveram elementos da Proteção Civil, técnicos municipais, forças de segurança e bombeiros, que procederam à colocação de barreiras de proteção e a trabalhos contínuos de limpeza. A operação tem sido dificultada pela obstrução dos aquedutos, provocada pelo grande volume de lama e detritos.
“Limpamos de um lado e a lama volta a aparecer do outro. Alguns aquedutos ficaram completamente entupidos”, relatou o presidente da Junta.
Além da situação na Nacional 111, Paulo Valente enfrenta ainda outro problema grave: o isolamento progressivo de uma zona agrícola na Ereira, onde se encontram cerca de três centenas de bovinos.
“Tenho os animais praticamente numa ilha. Ainda consigo lá chegar com uma pick-up ou trator, mas cada dia está mais difícil garantir o acesso para lhes levar comida”, alertou.
Segundo o autarca, a subida das águas e as previsões de mais chuva continuam a causar apreensão. “Estamos à espera daquele momento em que possamos dizer que já não vai piorar, mas todos os dias somos surpreendidos”, confessou.
Apesar dos estragos, a escola EB1 das Meãs do Campo não sofreu danos estruturais. “Houve apenas a queda de um portão exterior, mas acreditamos que amanhã estarão reunidas as condições para haver aulas”, indicou.
Paulo Valente deixou ainda um agradecimento às equipas no terreno e à população local. “Temos tido um apoio incansável da Proteção Civil, dos técnicos municipais e dos populares, que têm sido fundamentais para minimizar os danos”, concluiu.
A situação continua a ser acompanhada de perto, enquanto a população aguarda que a meteorologia dê finalmente tréguas.