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Muitos dos doentes com insuficiência cardíaca desconhecem o diagnóstico

Notícias de Coimbra | 2 semanas atrás em 13-05-2024

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Mais de 25 anos após a realização do último estudo nacional que avaliou a prevalência de insuficiência cardíaca na população portuguesa, o PORTHOS (PORTuguese Heart failure Observational Study), uma iniciativa da Sociedade Portuguesa de Cardiologia e da AstraZeneca, em parceria com a NOVA Medical School, veio alertar que o número dos que vivem com este problema é bastante superior ao esperado.

O estudo, que vai ser apresentado no Congresso da Associação de Insuficiência Cardíaca (HFA) Europeia, que se realiza em Lisboa, de 11 a 14 de maio, na Semana Internacional da Insuficiência Cardíaca, confirma que esta é uma síndrome associada ao envelhecimento: de uma prevalência de 4% em indivíduos com 50 a 59 anos passa a 31% naqueles com mais de 70 anos.

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Este estudo revela ainda dados inéditos que transformam o conhecimento sobre a síndrome. A maioria das pessoas tem um tipo de insuficiência cardíaca na qual o coração tem dificuldade em relaxar, de forma a acomodar o sangue que chega dos pulmões – denominada insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada. Este tipo é mais comum em mulheres mais idosas, particularmente com idade superior a 70 anos.

O estudo confirma que muitos dos doentes com insuficiência cardíaca desconheciam o diagnóstico: mais de 90% dos doentes não tinham conhecimento que sofriam de insuficiência cardíaca, sobretudo as mulheres, as pessoas com mais de 70 e os doentes com a forma de insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada.

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E mostra uma grande disparidade no que diz respeito à prevalência, com zonas onde esta é muito superior à média nacional, como a região do Alentejo (29,17%) ou a de Lisboa e Vale do Tejo (18,84%), que se destacam com os valores mais altos. Segue-se a zona Centro (17,90%), o Norte (12,93%) e o Algarve (6,61%), esta a região com a prevalência mais baixa.

“Este estudo mostra que estamos perante um problema de saúde pública com uma dimensão muito considerável”, afirma Cristina Gavina, médica cardiologista e investigadora principal do PORTHOS. “E o mais importante aqui é a prevenção, não só dos fatores de risco que podem conduzir à insuficiência cardíaca, mas também de um diagnóstico precoce de quem já tem a síndrome e não tem, por falta de conhecimento, acesso ao tratamento.”

Rui Baptista, médico cardiologista e também investigador principal deste estudo, chama a atenção para os 17% de pessoas com mais de 50 anos que vivem com insuficiência cardíaca, “que explica porque é a insuficiência cardíaca a principal causa de internamento em pessoas com mais de 65 anos no nosso país”.

É, por isso, reforça, muito importante a detecção precoce da síndrome, que “permite implementar estratégias de mudança de estilos de vida e terapêuticas, que permitem evitar a progressão da síndrome e, portanto, poderão reduzir o risco do doente ter uma primeira de descompensação que o vai levar a ser internado”.

O estudo PORTHOS, que decorreu entre dezembro de 2021 e setembro de 2023, envolvendo uma amostra de 6.189 pessoas com mais de 50 anos registadas no Serviço Nacional de Saúde em Portugal Continental, assentou num modelo inovador de investigação colaborativa, agregando uma equipa extensa de investigadores, médicos e outros profissionais de saúde das entidades parceiras que colaboraram entre si no desenho e na respetiva implementação do estudo.

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