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Movimento “A Pão e Água” exige plano de desconfinamento

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O Movimento “A Pão e Água”, que hoje juntou no Porto várias centenas de empresários em protesto, defendeu hoje que o plano de desconfinamento “já devia ter sido apresentado” para “dar tranquilidade” a setores que estão “presos por arames”.

“Queremos um plano de desconfinamento. Já devia ter sido apresentado para dar alguma tranquilidade às pessoas e podermos planear o nosso futuro a curto e médio e prazo (…). [Estes setores estão] presos por arames. Num mês ou dois vamos começar a ver, em efeito dominó, o encerramento de centenas de empresas”, disse um dos porta-vozes do movimento, Miguel Camões.

O representante falava à agência Lusa em frente à Câmara Municipal do Porto onde esta tarde decorreu uma concentração de empresários que juntou várias centenas de pessoas.

Ao longo de quase três horas, empresários da restauração, bares, discotecas e eventos, bem como da área da beleza, como cabeleireiros e barbearias, juntaram-se a trabalhadores independentes e pessoas ligadas à cultura e à música, entre outros setores, para reivindicar a reabertura da economia, parcialmente confinada devido à pandemia da covid-19 que já provocou, pelo menos, 2.570.291 mortos no mundo e 16.458 pessoas em Portugal.

“Representamos restauração, a noite, eventos, cultura e outros empresários têm-se juntado ao movimento, nomeadamente algum comércio de rua como cabeleireiros e livrarias porque estamos todos no mesmo barco a passar pelas mesmas dificuldades”, explicou Miguel Camões.

O responsável pediu a abertura imediata de cabeleireiros, barbeiros e livrarias, lembrando que “algum comércio de rua” se soube adaptar e segue os regulamentos da Direção-Geral da Saúde, e recordou que há bares e discotecas fechadas há um ano que “precisam de apoios urgentes”.

“A situação é muito, muito difícil. As medidas só chegaram oito meses depois e não são suficientes. Convém relembrar que [o programa] ‘Apoiar’ relativo ao quarto trimestre de 2020 e ao primeiro trimestre de 2021 foi suspenso. A uma sexta-feira, dia 05 de fevereiro à meia-noite, as candidaturas foram suspensas sem qualquer aviso prévio deixando milhares e milhares de empresas e empresários fora desses apoios (…). Ao dia de hoje ainda não vimos nenhum apoio do ‘Apoiar Rendas’”, referiu.

Questionado sobre se acredita que o Governo anuncie já a 11 de março medidas que permitam a reabertura de algum comércio, Miguel Camões disse: “Temos essa fé e esperança. Lutamos para isso”.

Mas nem todos os presentes no protesto mostraram esse otimismo. Tiago Carvalho, empresário da restauração que gere três espaços em Braga referiu à Lusa que “infelizmente” não acredita que a restauração reabra já em março, apontando, triste e inconformado, “para a segunda quinzena de abril”.

“A situação é bastante dramática. Estamos há um ano a levar no lombo literalmente. As medidas anunciadas pelo Governo não chegam a 65% dos empresários da restauração. Estamos a falar de microempresas e agregados familiares que estão a precisar de ajuda. Estamos a passar um momento de sofrimento. Precisamos de apoios a findo perdido e planeamento para o nosso desconfinamento”, disse o empresário.

Também Clara Queirós, cabeleireira há 20 anos e que foi ao protesto na Avenida dos Aliados com a filha Sofia Meneses que é esteticista, se mostrou cética quanto à abertura em breve do seu setor.

“Não acredito muito [que reabram já]”, disse à Lusa enquanto emprenhava um cartaz com a expressão “SOS Cabeleireiros” e contava que para conseguir fazer face às despesas fez um acordo com as três funcionárias e está a pagar os ordenados faseadamente.

“Tenho o meu próprio negócio há 20 anos e nunca pensei chegar onde chagamos hoje. Tenho o espaço fechado desde 15 janeiro. Temos de pagar impostos, IVA, Segurança Social, ordenados e despesas com água, luz, telefone e fornecedores. Não é justo. Este é um setor que se adaptou. Temos higienização e regras. Cumprimos, somos exigentes no nosso trabalho. Temos a porta aberta com cuidados para nós e cuidados para os outros”, referiu.

Marcado para as 15:30, a concentração em frente à estátua de Almeida Garrett nos Aliados começou mais cedo.

Cartazes, faixas e t-shirts com frases como “Socorro temos contas para pagar”, “Basta”, “Chega, queremos trabalhar”, “Andam a adiar a nossa morte” ou “Mais panelas e menos tachos” ou “Igualdade empresarial” e “Também somos cultura” destacaram-se num protesto onde não faltou um burro, o Óscar”, bem dois bonecos semelhantes aos cabeçudos das romarias com as caras de Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa.

Cerca das 17:00 foram lançadas tochas coloridas semelhantes às usadas pelas claques de futebol e ouviram-se apelos como “Queremos o fim do confinamento já” ou “Queremos trabalhar”, bem como “Acabem com esta palhaçada”.

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