Esta sexta-feira, 6 de fevereiro, Joana Marques, humorista e locutora do programa Extremamente Desagradável, da Renascença, partilhou nas suas redes sociais uma homenagem emocionada à avó, Estela, que morreu recentemente, aos 102 anos.
“A minha avó era imortal, até prova em contrário”, começou por escrever Joana Marques. “Infelizmente a prova chegou. Mas felizmente tardou. Nenhum texto lhe fará justiça, mas como fã nº1 de qualquer coisa que eu escrevesse (com aquela parcialidade que vem com o amor incondicional dos avós), acho que merece uma última (que nunca será) homenagem.” A humorista recordou ainda episódios da infância em que a avó era expulsa das aulas por se rir constantemente e imitar os professores.
PUBLICIDADE
Joana Marques falou também sobre os sonhos da avó, revelando que Estela queria ser atriz, algo que não era bem visto na sua época. “Acredito que passou ao lado de uma grande carreira, mas tive a honra de fazer de sua encenadora em muitos teatros caseiros. Brincámos aos barcos, aos ginásios, às passagens de modelos (…). Leitora ávida, até ao último dia, e maior consumidora de palavras cruzadas da Península Ibérica, ensinou-me o que queria dizer ‘trocista’, e percebi que era ‘adjetivo, sinónimo de nós as duas'”, acrescentou.
Numa outra publicação, Joana descreveu a avó como uma verdadeira “estrela rock”: “Acordava ao meio-dia, só comia o que lhe apetecia e, como qualquer rockstar, era transgressora. A minha cúmplice no crime, fosse nas férias no Hotel do Vimeiro, em que o limite legal de gelados por dia era largamente ultrapassado, ou anos mais tarde, quando me levava a festas às quais estava proibida de ir.”
A humorista relembrou ainda a cumplicidade entre ambas, partilhando aniversários e pequenas aventuras do dia a dia: “Partilhávamos o aniversário. Uma, sempre à frente, nascida a 2 de janeiro, a outra, sempre a seguir-lhe os passos, a 3. Em 2004 bastaram duas velas, fizemos 81 e 18. E ia jurar que os 18 eram dela.”
Joana Marques recordou também a relação da avó com os bisnetos e a tradição natalícia de lhe oferecer calendários. “Durante anos, no Natal, oferecia-lhe um calendário, que ela pendurava religiosamente na cozinha. Era uma espécie de compromisso, para garantir que completava os doze meses seguintes. Nos últimos tempos, não sei porquê, deixei de dar. Agora posso ver isto como a quebra de uma superstição, ou como a assunção de que realmente não podemos obrigar ninguém a viver para sempre (…). Nunca me vou esquecer dela porque é impossível esquecermos alguém que também somos. Nem é preciso ir vasculhar álbuns antigos, basta olhar ao espelho”, concluiu a humorista.
Veja as publicações de Joana Marques.