A passagem da depressão que atravessou Portugal continental durante a madrugada deixou danos significativos no concelho de Miranda do Corvo, obrigando à mobilização permanente dos meios de proteção civil desde as primeiras horas do fenómeno.
Em declarações, o presidente da Câmara Municipal de Miranda do Corvo, José Miguel Ferreira, descreveu a situação como “verdadeiramente angustiante”, sublinhando os estragos provocados pelo mau tempo em equipamentos públicos, habitações e zonas empresariais. “Coberturas, muros e árvores caíram e voaram, causando danos com enorme significado para aquilo que é o nosso concelho”, afirmou.
Segundo o autarca, apesar da gravidade da situação, a resposta no terreno permitiu reabrir a maioria das vias, mantendo-se apenas uma estrada totalmente cortada, via que une Miranda do Corvo ao Gondramaz, onde ainda se registam pessoas bloqueadas, incluindo turistas. No restante território, o trânsito encontra-se condicionado, resultado do trabalho conjunto entre bombeiros, Câmara Municipal, juntas de freguesia e restantes entidades da Proteção Civil.
A tempestade provocou ainda falhas na rede elétrica e móvel, situação que preocupa o município, uma vez que condiciona o abastecimento de água: “Há zonas significativas do concelho sem eletricidade e algumas já sem água ou em risco de ficar sem abastecimento”, explicou José Miguel Ferreira, acrescentando que a E-Redes tem equipas no terreno, em articulação com o município e a CCDR Centro, para restabelecer as ligações com a maior brevidade possível.
Já o comandante dos Bombeiros Voluntários de Miranda do Corvo, Fernando Jorge, explicou que o número de ocorrências é elevado e continua a aumentar, não sendo ainda possível apresentar um balanço final: “As ocorrências estão a chegar a todo o momento. Algumas nem sequer foram reportadas durante a noite, tal foi o volume registado em simultâneo”.
Apesar da dimensão dos estragos, o comandante destacou que não há feridos a registar, sublinhando que esse foi o principal objetivo desde o primeiro momento: “Felizmente não temos danos em pessoas. Isso foi o melhor que nos aconteceu”.
As autoridades mantêm-se no terreno, acompanhando a evolução da situação e garantindo resposta às ocorrências ainda pendentes no concelho.