Economia

Modelo Continente “repudia categoricamente” acusação de “alinhamento de preços”

Notícias de Coimbra com Lusa | 4 anos atrás em 25-03-2022

A Modelo Continente (MC) “repudia categoricamente” a acusação de “alinhamento de preços” com a Auchan, Pingo Doce e Johnson & Johnson hoje denunciada pela Autoridade da Concorrência (AdC), lamentando que o regulador volte a questionar a “reputação” do grupo.

“A MC repudia categoricamente a acusação de envolvimento em qualquer participação no acordo ou prática de concertação de preços com qualquer outro operador económico”, sustenta a cadeia de supermercados numa declaração escrita enviada à agência Lusa.

Na nota, a Modelo Continente lamenta “a forma como a Autoridade da Concorrência coloca de novo em causa o bom nome e a reputação da MC e da sociedade por si participada [Modelo Continente Hipermercados, S.A.], sem garantir previamente o direito de defesa, uma vez que a acusação representa apenas uma fase provisória, ainda sujeita ao exercício do direito de defesa das partes envolvidas”.

PUBLICIDADE

PUBLICIDADE

publicidade

Segundo salienta, “os termos das acusações serão analisados com total rigor e firmeza no sentido de, em momento e lugar próprio, serem utilizados todos os meios ao alcance, com vista à salvaguarda dos direitos, reputação, valores e integridade da MC e da sua participada”.

Para a MC, “é incompreensível como a Autoridade da Concorrência torna, recorrentemente, estas acusações públicas, mas não publicita todos os processos que tem vindo a arquivar, após as investigações realizadas”.

“A MC está ciente das suas obrigações legais e reitera o seu compromisso de conduzir a sua atividade no estrito cumprimento da lei, concretamente no que concerne a regras em matéria de concorrência”, refere.

“Mais ainda – acrescenta – a MC e a sua participada são entidades idóneas, com um papel relevante na democratização do consumo, num mercado notoriamente competitivo, garantindo, hoje e sempre, uma oferta de produtos e serviços de qualidade, aos melhores preços, para os seus clientes”.

A Autoridade da Concorrência anunciou hoje ter acusado as cadeias Modelo Continente, Pingo Doce e Auchan e a empresa Johnson & Johnson de “práticas concertadas de alinhamento dos preços praticados ao consumidor nos supermercados”.

“Após investigação, a AdC concluiu que existem indícios de que três das principais cadeias de supermercados presentes em Portugal utilizaram o relacionamento comercial com um dos mais importantes fornecedores de produtos de higiene e cuidado pessoal para alinharem os preços de venda ao público (PVP) dos principais produtos deste último, em prejuízo dos consumidores”, lê-se num comunicado da AdC.

Segundo o regulador, “os comportamentos investigados duraram mais de 15 anos, tendo-se desenvolvido entre 2001 e 2016”, sendo que, “a confirmar-se, a conduta em causa é muito grave”.

“Trata-se de uma prática designada na terminologia de concorrência por ‘hub-and-spoke’, em que as cadeias de distribuição, não comunicando diretamente entre si, como acontece nos casos de cartel, recorrem a contactos bilaterais com o fornecedor para garantir, através deste, que todos praticam o mesmo PVP no mercado retalhista”, explica.

A AdC enfatiza que “esta é uma prática que prejudica os consumidores, privando-os da opção de escolha pelo preço dos produtos que compram na grande distribuição”.

No passado dia 17, a presidente executiva do grupo Sonae tinha já garantido que a empresa iria “defender o bom nome até ao fim” face às acusações de práticas anticoncorrenciais que têm vindo a ser feitas pelo regulador, sustentando que o setor português da distribuição é, “talvez o mais competitivo e promocional” da Europa.

“O que a Autoridade da Concorrência vê, acho que mais ninguém vê, e eu vejo outros mercados onde eventualmente não tenho tantas certezas. É muito chato os reguladores serem assim em Portugal, mas estamos muito confiantes e vamos defender o nosso bom nome até ao fim”, afirmou Cláudia Azevedo durante a apresentação das contas de 2021 do grupo Sonae.

Numa resposta escrita enviada hoje à Lusa, também a Auchan veio já rejeitar qualquer “violação das regras de concorrência” por parte da empresa, avançando que vai contestar a imputação.

À Lusa, fonte oficial da Johnson & Johnson confirmou também hoje que a empresa foi notificada pela AdC, estando “a analisar” a nota de ilicitude.

“A Johnson & Johnson Consumer Health confirma que, em 18 de março de 2022, foi notificada de uma nota de ilicitude no âmbito de um processo dirigido pela Autoridade da Concorrência. Atualmente encontramo-nos a analisar o documento e iremos apresentar a nossa resposta dentro do prazo estabelecido”, disse.

No comunicado hoje divulgado, a Autoridade da Concorrência refere que a acusação agora adotada conclui as investigações em fase de inquérito do conjunto de casos de ‘hub-and-spoke’ abertos pela AdC na sequência de buscas realizadas em 2017, acrescendo aos nove processos em relação aos quais a AdC adotou notas de ilicitude e aos cinco em relação aos quais adotou decisões finais condenatórias.

O regulador salienta, contudo, que a nota de ilicitude, adotada em 15 de março de 2022, “não determina o resultado final da investigação”.

“Nesta fase do processo, é dada oportunidade aos visados de exercer os seus direitos de audição e defesa em relação aos ilícitos que lhes são imputados e às sanções em que poderão incorrer”, refere.