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Mira não quer “continuar a mendigar a Cantanhede a ambulância de Suporte Imediato de Vida”

O Centro de Saúde de Mira foi alvo de uma requalificação profunda, inaugurada oficialmente, esta quarta-feira, 16 de julho, com a presença da ministra da Saúde, Ana Paula Martins.
O presidente da Câmara Municipal aproveitou a ocasião para reforçar reivindicações locais, nomeadamente sobre a presença contínua da ambulância de Suporte Imediato de Vida (SIV) Cantanhede /Mira durante o verão no concelho.
“Temos uma população muito grande, não temos hospital e, em época balnear, a população quadruplica. A chegada dos nossos emigrantes aumenta ainda mais a procura por cuidados de saúde. Não podemos continuar a mendigar anualmente que a SIV venha para Mira”, alertou o presidente.
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A ministra da Saúde reconheceu o problema e garantiu estar atenta: “Compreendo perfeitamente aquilo que diz. A SIV é uma ambulância que devia estar em Mira. Já falei com o presidente do INEM e estamos a olhar para a casuística para alocar meios”, explicou Ana Paula Martins.
“Prometo que vamos honrar o compromisso atual. Não prometo o que não posso garantir, mas reconheço a importância de reforçar os meios de emergência em Mira, sobretudo no verão”, acrescentou.
A governante informou ainda que o Governo está a ultimar um concurso para aquisição de 320 novas ambulâncias nos próximos quatro anos, admitindo que o parque automóvel do INEM está envelhecido e necessita de renovação.
O NDC confrontou o autarca com a resposta da ministra da Saúde que alega a falta de meios do INEM. Artur Fresco reconheceu algumas limitações do sistema, mas apelou a uma resposta mais concreta e imediata.
“Compreendemos que existam dificuldades, falta de recursos humanos e de viaturas. Mas o facto de agora vir temporariamente para Mira mostra que é possível. Só pedimos que se mantenha aqui durante o tempo necessário”, concluiu.
Apesar das obras do Centro de Saúde estarem concluídas, Artur Fresco apontou que ainda há lacunas por resolver no funcionamento pleno do espaço. Entre os principais problemas referidos estão a falta de sinalética adequada, a ausência de um autoclave — essencial para a esterilização de materiais — e a necessidade urgente de reinstalar um aparelho de raio-x digital, que já existia no concelho, mas ainda não foi reposto desde a transição da ARS para a nova Unidade Local de Saúde (ULS).
A intervenção, financiada em 1,8 milhões de euros pelo PRR, permitiu renovar por completo as instalações, com ganhos claros em conforto, eficiência energética e acessibilidade. Mais surpreendente ainda foi a antecipação do fim da obra, inicialmente previsto para mais tarde.
“Ver esta evolução tão positiva nas instalações e este investimento é realmente único. Ainda mais único é o facto de termos antecipado a abertura e a requalificação”, destacou o presidente do Conselho de Administração da ULS Coimbra, referindo no entanto que esse avanço criou também novos desafios.
“Isso veio colocar problemas adicionais, como a necessidade de novo mobiliário — que está já a ser tratado para o início de Agosto — e a instalação de um raio-X digital, que estará disponível muito em breve.”
Alexandre Lourenço garantiu que o espaço vai continuar a crescer em recursos e serviços. Para além das melhorias já concretizadas, o centro de saúde passará a dispor de novas valências clínicas: “Estamos a dotar o edifício de outro tipo de meios: com higiene oral, com uma cadeira de medicina dentária, com um psicólogo e com outro tipo de infraestruturas que queremos aqui colocar, como fisioterapia para a promoção da autonomia.”
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