Política
Ministro diz que prontidão dos militares foi “máxima desde o primeiro dia”
Imagem: LUSA/ PEDRO SANTOS
O ministro da Defesa Nacional afirmou hoje que o nível de prontidão das Forças Armadas durante as intempéries que atingiram o país foi “o máximo desde o primeiro dia”, refutando atrasos.
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“Não houve atraso, nem diminuição do grau de prontidão dos militares desde o primeiro dia, desde o primeiro momento, respondendo àquilo que lhes foi pedido pela Proteção Civil”, afirmou Nuno Melo, durante uma audição na Assembleia da República, em resposta ao deputado do Chega Nuno Simões de Melo.
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Interrogado sobre os ‘timings’ de ação no terreno dos militares durante o “comboio de tempestades” que atingiu Portugal continental entre o final de janeiro e o início de fevereiro, Nuno Melo sublinhou que as Forças Armadas deram “desde o primeiro dia, em alguns casos, respostas de uma hora”.
“Se isso não demonstra a elevada prontidão das Forças Armadas, então, não sei o que é que é mais preciso. Só tem que fazer meia dúzia de telefonemas para perceber o grau de prontidão absolutamente inexcedível e permanente das Forças Armadas, desde o primeiro dia”, defendeu.
Nuno Melo acrescentou que os militares estão no terreno desde o dia 28 de janeiro e, questionado sobre a sua intervenção, realçou que “não é o ministro que define níveis de prontidão, mas sim quem comanda”.
Ao nível governamental, o ministro realçou a autorização dada pelo executivo para que passasse a existir um contacto direto entre os ramos das Forças Armadas e os municípios, decisão que agilizou a chegada de apoio ao terreno.
Uma boa parte da audição parlamentar, que durou cerca de quatro horas, foi dedicada ao facto de os militares só terem atingido o nível de prontidão imediata uma semana depois do início da tempestade ‘Kristin’, com vários deputados a insistir no tema, noticiado pelo semanário Expresso a 05 de fevereiro.
Depois do Chega, também PS e Livre questionaram o ministro sobre o tópico. Em resposta ao deputado do Livre Tomás Cardoso Pereira, Nuno Melo reiterou que a resposta foi máxima desde o início e chegou a afirmar que “a questão da prontidão é uma não questão”.
O governante salientou que “na sequência da decisão da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) de elevar o estado de prontidão para nível 4 no dia 27 de janeiro às 16:00, estabelecido por um comunicado técnico operacional, (…) as Forças Armadas acompanharam de forma contínua a evolução da prontidão e foram elevando o seu nível de alerta”.
Nuno Melo defendeu que “as dinâmicas operativas valem muito mais do que os formalismos procedimentais” e considerou que “mais não podia ter sido feito”.
Tomás Cardoso Pereira realçou que este é um exemplo no qual “os formalismos contam” e pediu que o ministro tivesse este dado em consideração no futuro.
No início da sua intervenção, o deputado do Chega Nuno Simões de Melo criticou o ministro por ter feito declarações acerca do líder do seu partido, André Ventura, acusando-o de ter desrespeitado os militares das Forças Armadas durante o debate quinzenal no parlamento no dia 19 de fevereiro, e de ter faltado à verdade “sem qualquer pudor”.
Simões de Melo pediu que o ministro se retratasse mas Nuno Melo manteve as suas declarações, sem tirar “uma vírgula”, acusando o Chega de usar a mentira para fazer política, o que gerou um momento mais tenso durante a audição.
Pelo menos 19 pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que fizeram também várias centenas de feridos, desalojados e deslocados. Mais de metade das mortes foram registadas em trabalhos de recuperação.
Os temporais, que atingiram o território continental durante cerca de três semanas, provocaram a destruição total ou parcial de milhares de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias, com prejuízos de milhares de milhões de euros.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.
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