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Saúde

“Ministério da Saúde obriga Médicos de Família a terem cada vez mais tarefas não clínicas”

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“Além da falta de médicos, a carga burocrática crescente afasta cada vez mais os médicos da sua atividade clínica”, alerta o presidente da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos.

Na data em que se assinala o Dia Mundial do Médico de Família, a Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos alerta para a crescente influência das tarefas não clínicas na atividade diária dos médicos de família. De acordo com os resultados preliminares do inquérito online, intitulado “Médicos de família da Região Centro – Que realidade?”, é possível verificar que 69 por cento dos médicos referem que dedicam até 20 por cento em média do seu horário semanal em tarefas não clínicas (administrativas, logísticas ou outras) que deveriam ser desempenhadas por outros profissionais.

“Os médicos de família devem dedicar-se ao que realmente importa na sua atividade médica: consultas, vigilância de grupos de risco, controlo de doenças crónicas, planeamento familiar, etc. Mais: a relação médico-doente deve ser a prioridade e devemos enfatizar que a Medicina Geral e Familiar é um instrumento fundamental da medicina preventiva e que vai ao encontro dos seus doentes e dos seus cuidadores”, sublinha o presidente da SRCOM. 

“A carga administrativa e burocrática que é colocada sobre os médicos de família e que deveria ser feita por outros profissionais qualificados, tal como assistentes técnicos (administrativos e secretários clínicos), compromete os cuidados de saúde e é um enorme entrave à eficiência das unidades de saúde.”

Carlos Cortes relembra, por seu turno, o atual contexto de recursos humanos nesta área: “A breve prazo, 200 mil pessoas vão deixar de ter Médico de Família na região Centro, uma vez que os seus médicos têm mais de 65 anos”. Na região Centro, segundo as previsões a curto prazo, quase 400 mil utentes ficarão sem médico de família. Cenário que, a nível nacional, se traduzirá em mais de 2 milhões de utentes sem médico de família caso o Ministério da Saúde não tenha uma intervenção imediata no sentido de melhorar a planificação dos recursos humanos e ajudar a uma fixação efetiva dos médicos de família”

“Vamos enfrentar um terramoto na demografia médica. A Ministra da Saúde continua irresponsavelmente sem planear os recursos humanos que são necessários para o País”, alerta. O presidente da SRCOM considera que “a Ordem dos Médicos tem como papel pugnar pela defesa dos cuidados de saúde com qualidade, bem como reconhecer o importante contributo dos médicos em todo o País”. Acentua: “Por isso, a SRCOM também valoriza quem cuida de todos”, lema da campanha da Semana do Médico de Família. Conclui: “Celebramos este ano 40 anos da Medicina Geral e Familiar e queremos honrar este legado, olhando para o futuro da Saúde em Portugal”, deixando a seguinte mensagem em jeito de apelo: “Senhora Ministra da Saúde, deixe os médicos de família serem médicos de família!”

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