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“Milagre estar vivo”: Português relata inferno vivido após tragédia espanhola

Notícias de Coimbra com Lusa | 1 hora atrás em 20-01-2026

Imagem: Instagram

Um dos portugueses que viajava nos comboios envolvidos no acidente ferroviário em Espanha no domingo, Santiago Salvador, relatou um cenário que “parecia um inferno”, em que começou “a voar” dentro da carruagem, como se estivesse num carrossel.

“Foi um acidente muito trágico, parecia um inferno, havia muitas pessoas feridas, graves” contou Santiago Salvador, num vídeo que fez no hospital de Córdova, Espanha, e que publicou na rede social Instagram na segunda-feira à noite.

“Comecei a voar pela carroça [carruagem] e parecia que estava num carrossel”, descreveu, antes de considerar “um milagre” e “uma sorte” estar vivo e “ter só” partido uma perna.

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Santiago Salvador disse que viajava com a namorada, que também está bem, no comboio da empresa pública espanhola Renfe que tinha saído de Madrid e tinha como destino Huelva, no sudoeste de Espanha, perto da fronteira com Portugal no Algarve.

“Neste momento, estou bem, estou vivo, contente por estar bem, com muita força”, disse ainda no mesmo vídeo, publicado na segunda-feira à noite.

O acidente, que envolveu dois comboios de alta velocidade em que viajavam perto de 500 pessoas, fez pelo menos 41 mortos e cerca de 150 feridos, 39 das quais permanecem hospitalizados, incluindo 13 em unidades de cuidados intensivos, segundo o balanço mais recente feito por fontes oficiais.

Segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE), dois portugueses estavam entre os passageiros dos dois comboios e os dois sobreviveram e estão bem.

Uma mulher estava “bem e em casa” já na segunda-feira à tarde, segundo o MNE, enquanto outro português “foi atendido no hospital Reina Sofía de Córdova, e já teve alta”, disse o ministério na segunda-feira à noite.

O acidente ocorreu pelas 19:45 de domingo (18:45 em Lisboa), no município de Adamuz, na província de Córdova, e envolveu dois comboios de alta velocidade, um da empresa privada Iryo (que tinha saído de Málaga e tinha como destino Madrid), e outro da empresa pública Renfe (que seguia em sentido contrário, de Madrid para Huelva).

Os três últimos vagões do comboio Iryo descarrilaram e invadiram outra via onde circulava o comboio da Renfe, num local conhecido como o apeadeiro de Adamuz, onde existe uma subestação de manutenção da linha e um ponto de mudança de agulhas.

Os dois primeiros vagões do comboio da Renfe foram projetados e caíram por um aterro de cerca de quatro metros.

O Governo espanhol decretou três dias de luto nacional, de hoje a quinta-feira.

O primeiro-ministro, Pedro Sánchez, prometeu tornar públicas, “com transparência e claridade”, as conclusões da investigação do acidente, que qualificou como “uma tragédia” que deixa “dor em toda a Espanha”.

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