O presidente da Metro Mondego, João Marrana, reconheceu esta manhã, 30 de janeiro, que as condições meteorológicas adversas têm provocado constrangimentos significativos na operação do sistema, sobretudo em alguns troços da linha. A chuva intensa e as falhas prolongadas de energia elétrica estão na origem dos principais problemas.
No que toca à queda do talude em Serpins, segundo o presidente da Metro Mondego, apesar das várias intervenções realizadas ao longo dos últimos anos, a infraestrutura não foi alvo de uma reconstrução total: “Não era uma obra completamente nova. Foram intervencionados os pontos onde se identificaram riscos, mas a arquitetura não foi refeita na totalidade”, explicou.
João Marrana esclareceu que algumas zonas que não apresentavam problemas no passado estão agora a revelar fragilidades, sobretudo em períodos de chuva intensa: “Há fenómenos geotécnicos que estão a surgir agora e que, na altura, não evidenciavam qualquer problema”, afirmou, admitindo que situações semelhantes já tinham ocorrido no passado, embora com menor frequência.
Um dos maiores constrangimentos registou-se entre Miranda do Corvo, Lousã e Serpins, onde a falta de energia elétrica em algumas zonas tem impedido a operação do sistema: “Estamos há vários dias sem energia em parte do canal, e isso tem um impacto brutal na operação. Não estávamos preparados para estar três dias consecutivos sem eletricidade”, confessou.
Para garantir a mobilidade da população, a Metro Mondego avançou com serviços alternativos rodoviários: “Decidimos criar um serviço alternativo entre Serpins e Sobral de Ceira para garantir condições mínimas para as pessoas irem trabalhar ou deslocarem-se”, explicou o presidente da empresa.
Quanto ao regresso à normalidade, João Marrana foi prudente. Algumas situações poderão ser resolvidas a curto prazo, mas outras exigem intervenções mais profundas, nomeadamente em taludes entre a Lousã e Serpins: “Ainda não conseguimos dizer exatamente quanto tempo vai demorar, podem ser horas ou dias, porque a situação não está totalmente controlada e o mau tempo também não tem ajudado”.
O presidente da Metro Mondego alertou ainda para a necessidade de adaptação a uma nova realidade climática: “Estamos a assistir a fenómenos meteorológicos e climáticos de uma escala que nenhum de nós previa. Não é possível dimensionar os sistemas para o limite absoluto”.
Apesar das dificuldades, João Marrana reiterou a importância do projeto da Metro Mondego para Coimbra e para a região, defendendo que se trata de “a maior revolução em termos de mobilidade” alguma vez implementada no território e um modelo que poderá servir de referência a nível nacional.