Região

Metrobus parado e alternativa falha: Miranda do Corvo revoltada

Notícias de Coimbra com Lusa | 1 hora atrás em 09-02-2026

 A resposta dos serviços alternativos da Metro Mondego devido à suspensão das operações no troço suburbano está “muito abaixo do que é a necessidade”, criticou hoje o presidente do Município de Miranda do Corvo, no distrito de Coimbra.

“Os serviços alternativos não estão a responder às necessidades das pessoas. São serviços alternativos muito aquém daquilo que são os horários normais”, disse à agência Lusa José Miguel Ramos Ferreira, salientando que o concelho está sem sistema “há praticamente uma semana”.

O deslizamento de um talude na localidade de Sobral de Ceira, em Coimbra, levou à suspensão da operação do Sistema de Mobilidade do Mondego, estimada em duas semanas, no troço suburbano entre Sobral de Ceira e Serpins, que está a ser garantido por serviços alternativos.

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José Miguel Ramos Ferreira considerou que os horários dos serviços alternativos estão “muito abaixo daquilo que são os horários normais”, havendo “muito menos oferta”.

“Nesse momento, nas horas de ponta, estão com serviços a sair de Miranda [do Corvo] de 30 em 30 minutos, mas um autocarro leva cerca 50 pessoas. E, antigamente, estavam ao serviço do ‘metrobus’ de 10 em 10 minutos com 120 pessoas, que é a capacidade do sistema”, detalhou.

Apesar de reconhecer que o sistema “não vai, de 10 em 10 minutos, 100% lotado”, o autarca notou que “há uma diferença demasiado grande em termos de oferta”, que está “a prejudicar bastante” a população.

“É uma situação que nos preocupa imenso e que nós temos estado a batalhar junto à Administração da Metro [Mondego], compreendendo, naturalmente, que isso não é uma situação fácil, mas, se o sistema por alguma razão de segurança não funciona, a Metro Mondego tem de estar preparada para dar uma resposta cabal em termos de serviços alternativos. O que manifestamente não está a acontecer”, afirmou.

José Miguel Ramos Ferreira disse ainda temer que a obra do talude “possa demorar bastante tempo, porque é uma queda gigante de um talude”.

“Precisamente por isso é que me parece que um sistema desta dimensão tem de ter sistemas alternativos eficazes”, assinalou, salientando que “a falta de serviços eficazes é dramática para a população” de Miranda do Corvo.

À suspensão da operação do ‘metrobus’ soma-se à supressão de várias vias municipais no concelho de Miranda do Corvo, fruto da queda de taludes, salientou o autarca.

Quinze pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.

O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.