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Médio Oriente: Guterres espera que EUA e Irão mantenham ímpeto das discussões

Notícias de Coimbra com Lusa | 21 minutos atrás em 17-02-2026

O secretário-geral da ONU, António Guterres, saudou hoje a continuação das conversações entre o Irão e os Estados Unidos e instou as partes a manter o ímpeto das discussões visando “conduzir a resultados concretos e construtivos”.

A visão de Guterres foi partilha pelo seu porta-voz, Stéphane Dujarric, que, numa conferência de imprensa em Nova Iorque, expressou esperança de que as discussões em curso reduzam as tensões regionais e evitem uma crise mais ampla, “que poderia ter implicações muito abrangentes”.

“Continuamos a enfatizar a necessidade imperativa de desescalada e de soluções pacíficas, em conformidade com a Carta da ONU, e o secretário-geral sublinha que todas as preocupações podem e devem ser abordadas através da diplomacia e do diálogo. E, naturalmente, agradecemos a Omã e à Suíça por ajudarem a facilitar estas conversações”, acrescentou Dujarric.

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O Irão e os Estados Unidos concluíram hoje, em Genebra, a segunda sessão de negociações num contexto ainda muito tenso.

O ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros declarou hoje que o Irão e os Estados Unidos chegaram a um entendimento sobre “um conjunto de princípios orientadores” que podem abrir caminho a um acordo, no decurso das negociações na Suíça.

“Chegámos a um amplo acordo sobre um conjunto de princípios orientadores, na base dos quais avançaremos e começaremos a trabalhar num texto de um potencial acordo”, declarou Abbas Araghci à televisão estatal iraniana, classificando a nova sessão de negociações como “mais construtiva” do que a que decorreu a 06 de fevereiro em Omã.

Teerão e Washington retomaram as negociações pela primeira vez desde os bombardeamentos americanos a instalações nucleares iranianas durante a guerra de 12 dias desencadeada em junho por um ataque israelita contra o Irão.

“Isso não significa que possamos chegar rapidamente a um acordo”, alertou o ministro, admitindo que “será necessário tempo para reduzir” as distâncias entre as posições dos dois países.

“Foi decidido que as duas partes continuarão os seus trabalhos nos projetos de redação”, sendo depois anunciada uma data para uma terceira sessão”, acrescentou.

Abbas Araghci, falando em Genebra, durante uma conferência da ONU sobre desarmamento, congratulou-se por “uma nova janela de oportunidade” se ter aberto para uma solução diplomática para as tensões com Washington.

Nessa conferência, o ministro adiantou ainda que o Irão vai trabalhar com o Organismo Internacional de Energia Atómica (OIEA) num acordo integral de salvaguardas para a inspeção das instalações nucleares que foram atacadas pelos Estados Unidos em junho passado.

Os países ocidentais e Israel, aparentemente a única potência nuclear no Médio Oriente, suspeitam que o Irão pretenda dotar-se de arma nuclear. Teerão nega tais ambições, mas insiste no seu “direito inalienável” a desenvolver um setor nuclear civil e a enriquecer urânio, nomeadamente para fins energéticos, em conformidade com as disposições do Tratado de Não Proliferação, de que é signatário.

As negociações de hoje ficaram marcadas por alguma tensão, com o guia supremo iraniano a advertir que o porta-aviões norte-americano presente no Golfo, o USS Abraham Lincoln, poderá ser afundado, tendo o ayatollah Ali Khamenei proferido um discurso virulento, garantindo que a América jamais conseguirá destruir a República Islâmica.

O porta-aviões – que transporta cerca de 80 aeronaves – e os navios de escolta encontram-se atualmente a cerca de 700 quilómetros da costa iraniana. Um segundo, o Gerald Ford, deverá juntar-se-lhe, em data ainda incerta.

A declaração de Ali Khamenei surge numa altura em que os Guardas da Revolução, o exército ideológico do país, realizam manobras militares, com contornos de demonstração de força, no estreito de Ormuz, ponto de passagem estratégico para o comércio mundial de petróleo.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, multiplicou os avisos após a repressão sangrenta de manifestações massivas em janeiro no Irão, deixando aberta a porta a uma solução diplomática, nomeadamente sobre o programa nuclear iraniano.

Na ausência de acordo, Trump ameaçou sexta-feira o Irão com consequências “traumatizantes” e evocou mesmo abertamente a hipótese de uma mudança de regime.