O médico Vítor Almeida afirmou hoje que recusou liderar o INEM em 2024 devido à falta de garantias do Ministério da Saúde sobre o serviço de helicópteros de emergência médica, alegando que a solução passava por ajuste direto.
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“Não iria ser eu a destruir” o serviço de transporte aéreo de emergência médica, disse Vítor Almeida na comissão parlamentar de inquérito ao INEM, salientando que, depois de ter sido convidado para o cargo, pediu garantias, por escrito, à ministra Ana Paula Martins.
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No início de julho de 2024, o Governo escolheu Vítor Almeida para presidir ao INEM, mas o médico recusou aceitar o cargo poucos dias depois, o que levou o Ministério da Saúde a nomear o militar Sérgio Dias Janeiro.
Na altura, o ministério explicou que, nos contactos com a tutela, o médico anestesista “concluiu que não estavam reunidas as condições para assumir a presidência do INEM, por razões profissionais e face ao contexto atual do instituto”.
“[Perante a falta de garantias escritas da ministra da Saúde], a minha decisão foi muito clara e, tranquilamente, os caminhos separaram-se”, adiantou o médico.
Vítor Almeida avançou ainda que foi ele que propôs a Ana Paula Martins a refundação, não apenas do INEM, mas de todo o Sistema Integrado de Emergência Médica (SIEM) e a constituição de uma Comissão Técnica Independente, à semelhança da criada após os fogos florestais.
Manifestou-se também “muito triste” com o relatório produzido pela Comissão Técnica Independente criada pelo Governo, alegando que inclui erros factuais e uma série imprecisões “que são extremamente preocupantes”.
Perante isso, Vítor Almeida, que afirmou nunca ter sido contactado pela comissão independente, lamentou que esse relatório esteja a servir atualmente para “discutir a futura lei orgânica do INEM”.
Alertou que “não se sabe o que está em cima da mesa” na nova lei orgânica que o Governo vai aprovar para o instituto, alegando que se trata de um assunto demasiado relevante para a segurança nacional para ser apenas “discutido em gabinetes ministeriais”.
Vítor Almeida falava na comissão parlamentar de inquérito (CPI) ao INEM para apurar responsabilidades durante a greve no final de 2024 e a relação das tutelas políticas com o instituto desde 2019.
Composta por 24 deputados para apurar responsabilidades políticas, técnicas e financeiras relativas à atual situação do INEM, a CPI foi aprovada em julho do ano passado por proposta da IL.
Os deputados estão a apurar a atuação do INEM durante a greve às horas extraordinárias dos técnicos de emergência pré-hospitalar no final de outubro e início de novembro de 2024, durante a qual se registaram 12 mortes, três das quais associadas a atrasos no socorro, segundo a Inspeção-Geral das Atividades em Saúde, assim como a relação da tutela com o instituto desde 2019.
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