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Desporto

Mauricio Moreira: O senhor da Torre

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A amarela chegou hoje finalmente, e com um ano de atraso, ao corpo de Mauricio Moreira, com o ciclista uruguaio a coroar-se como o mais forte na Torre, numa terceira etapa em que a Glassdrive-Q8-Anicolor sentenciou a geral.

Passaram apenas quatro dias desde que a 83.ª Volta a Portugal arrancou em Lisboa, mas a Glassdrive-Q8-Anicolor já ‘ganhou’ a prova: depois da tirada ‘rainha’, tem o vice-campeão de 2021 na liderança da geral e Frederico Figueiredo, que hoje merecia ter vencido no ponto mais alto de Portugal continental pela bravura dos ataques e pelo excelente trabalho que fez pelo seu companheiro, na segunda posição, a 30 segundos.

Só Luís Fernandes (Rádio Popular-Paredes-Boavista), um surpreendente segundo na jornada e terceiro da geral, a 31 segundos, conseguiu acompanhar o ritmo dos homens da Glassdrive-Q8-Anicolor, com a concorrência, salvo Alejandro Marque (Atum General-Tavira-Maria Nova Hotel), a ficar a ‘quilómetros’ de distância e definitivamente afastada da luta pelo triunfo final – o trio de líderes da Efapel e Vicente García de Mateos (Aviludo-Louletano-Loulé Concelho) tiveram mesmo uma terceira etapa desastrosa.

“Teria gostado muito que o Fred ganhasse a etapa. Ganhei eu, mas é como se tivesse vencido ele, porque foi graças a ele que conseguimos essa diferença toda para a geral. Esta camisola é mais da equipa do que minha”, enalteceu Moreira, já depois de ter subido ao pódio, no alto da Torre, para vestir uma amarela que deveria ter sido sua no final da passada edição.

A etapa ‘rainha’ da Volta a Portugal é desde sempre a ‘montra’ ideal para os ciclistas (e as equipas) que não têm ambições na geral se mostrarem, por isso, hoje, as primeiras pedaladas dos 159 quilómetros entre a Sertã e a Torre proporcionaram uma acesa luta pela fuga do dia.

Depois de vários ataques e contra-ataques, ficaram na frente, ao quilómetro 10, António Barbio (Tavfer-Mortágua-Ovos Matinados), Robin Carpenter (Human Powered Health), Rafael Lourenço (Atum General-Tavira-Maria Nova Hotel), Luís Gomes (Kelly-Simoldes-UDO), Asier Etxeberria (Euskaltel-Euskadi), Alberto Gallego (Rádio Popular-Paredes-Boavista), Barry Miller (BAI-Sicasal-Petro de Luanda) e Pelayo Sánchez (Burgos-BH).

Os oito haveriam, depois, de receber a companhia de Xavier Cañellas (Java Kiwi Atlântico) – acabou expulso no final da etapa por ter ‘trocado’ o capacete por um chapéu de palha no momento de cruzar a meta -, que levou o seu companheiro Edwin Torres, o então líder da classificação da montanha, até ao grupo, para que pudesse pontuar na primeira contagem da jornada, a segunda categoria da Serra de Alvelos.

Com a ameaça do fogo a pairar no horizonte – à chegada à Covilhã, uma gigantesca nuvem de fumo erguia-se encobrindo a Torre e, nas Penhas da Saúde, as labaredas eram visíveis a poucos metros de distância -, os fugitivos chegaram ao início da subida já ‘condenados’.

Era o nome mais forte da fuga e Luís Gomes não defraudou: quando os 20,1 quilómetros de ascensão ao ponto mais alto de Portugal continental começaram, o ciclista da Kelly-Simoldes-UDO seguia isolado na frente com mais de um minuto de vantagem sobre o pelotão, comandado por António Carvalho.

A aceleração do ‘número três’ da Glassdrive-Q8-Anicolor começou a selecionar o pelotão, com Marque e André Cardoso (ABTF-Feirense) a seguirem de perto as movimentações dos homens de amarelo (fluorescente), numa altura em que Henrique Casimiro, Tiago Antunes e Joaquim Silva, da Efapel, e De Mateos já tinham ficado para trás – os dois primeiros perderam na ordem dos sete minutos, o ‘vice’ das edições de 2017 e 2018 mais de 12 e Silva mais de 16.

Vencedor na Torre em 2011, Cardoso foi mesmo o primeiro a atacar, com as movimentações dos candidatos a condenarem definitivamente Luís Gomes, que procurava amealhar pontos para a classificação da montanha, mas também repetir o bom resultado do ano passado, quando foi sexto.

Cansado de desempenhar papéis decisivos na decisão da Volta, sem colher frutos, Figueiredo atacou e, com uma pedalada fácil, deixou a concorrência para trás a 17 quilómetros do alto, antes de ser ‘perseguido’ por Moreira, que levou na roda Luís Fernandes.

O duo uniu-se a ‘Fred’ a 15 quilómetros do alto, numa altura em que Cardoso seguia em posição intermédia – acabaria por decidir esperar pelo grupo que vinha atrás – e em que os perseguidores, que incluíam Marque, os seus companheiros Delio Fernández e o promissor Emanuel Duarte, que tanto trabalhou, assim como Carvalho, seguiam com 01.30 minutos de vantagem.

A decisão da etapa ficou reservada para os metros finais, com Fernandes a arrancar só para perceber que não há ninguém tão forte nesta Volta como Moreira, que cortou a meta em 04:40.35 horas, diante do ciclista da Rádio Popular-Paredes-Boavista.

Figueiredo, que não conseguiu esconder a desilusão por não “inscrever o nome” na “subida mítica”, foi terceiro a quatro segundos. André Cardoso ‘fartou-se’ do ritmo dos ciclistas do Atum General-Tavira-Maria Nova Hotel e arrancou para ser quarto, a 01.44, com ‘Alex’ a ser quinto – o campeão de 2013 é quarto na geral, a 02.10.

Só uma ‘tragédia’ poderá impedir a Glassdrive-Q8-Anicolor de ganhar a 83.ª Volta a Portugal, com a luta pelo pódio a estar aparentemente reduzida a sete – Carvalho é quinto, Cardoso sexto e Fernández sétimo, com o outro galego da equipa algarvia já a 02.33.

Na segunda-feira, véspera do dia de descanso, Moreira estreia a sua amarela na ligação de 169,1 quilómetros, entre a Guarda e Viseu.

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