Política

Mau tempo pode deixar três mil pessoas sem água em Oliveira do Hospital

Notícias de Coimbra com Lusa | 11 minutos atrás em 29-01-2026

Oliveira do Hospital registou hoje duas dezenas de ocorrências devido ao mau tempo, havendo o risco de que três mil pessoas do concelho fiquem sem água devido ao entupimento das captações de água, avisa o presidente da câmara.

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Devido à forte precipitação sentida, duas captações de água do concelho, uma na margem do rio Alvoco, em Alvoco das Várzeas, e a outro do rio Alva, na vila de Avô, estão inundadas e desativadas, “o que leva a problemas de abastecimento de águas”.  

As duas captações, das Águas Públicas da Serra da Estrela, servem uma área geográfica na qual estão cerca “de três mil pessoas”, revelou hoje à agência Lusa o presidente da autarquia, José Francisco Rolo.

“A única alternativa é ativar os bombeiros para abastecerem os reservatórios, uma vez que as captações estão desativadas, porque foram inundadas pelo caudal de água e lama”, explicou.

“Temos aqui uma situação dramática ao nível do abastecimento de água”, embora, por volta das 19:00, não houvesse residências sem água.

De acordo com o edil, as Águas Públicas da Serra da Estrela estão a trabalhar em parceria com o município de Oliveira de Hospital e com os bombeiros, para garantir que os reservatórios sejam abastecidos.

Ao longo do dia, o concelho do interior do distrito de Coimbra registou 20 ocorrências, relacionadas essencialmente com quedas de árvores, deslizamentos de terras e derrocadas.

O desabamento de uma encosta na Estrada Municipal 508 exigiu “grandes cuidados”, levando ao corte da circulação, apesar de o trânsito já ter sido restabelecido nos dois sentidos, estando agora “com a vigilância redobrada”.

Está é “uma estrada importante”, que liga Ponte das Três Estradas à Aldeia das Dez, esclareceu José Francisco Rolo.

A subida do nível da água dos rios, particularmente dos rios Alva e Alvoco, levou a que zonas balneares ficassem “completamente submersas” e com as estruturas de apoio destruídas, como as da praia fluvial de Alvoco, São Sebastião da Feira e Avô.

O mau tempo levou ainda à destruição completa da cobertura de um abrigo de animais, no qual viviam duzentas ovelhas Serra da Estrela, na freguesia do Seixo da Beira.

“Estamos a tentar encontrar uma solução para ajudar aquele criador”, tendo as duas centenas de animais sido levadas a um abrigo, vincou.

Diversos arruamentos, em termos de circulação automóvel e pedonal, viram-se “gravemente condicionados por questões de segurança”, devido ao risco de desabamento de muros de xisto, com as pessoas a terem de encontrar soluções alternativas para poderem aceder às suas habitações.

Questionado sobre o possível valor dos prejuízos sentidos pelo concelho ao longo dos últimos dias, José Francisco Rolo disse que, neste momento, a autarquia “não arrisca fazer a avaliação de custos”.

As aulas prosseguem normalmente na sexta-feira.

No final da tarde de quarta-feira, o município já havia registado cerca de 50 ocorrências devido ao mau tempo, que causaram danos em escolas, estruturas e levaram ao realojamento de uma pessoa.

A passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, deixou um rasto de destruição, causando pelo menos cinco mortos, segundo a Proteção Civil, vários feridos e desalojados. A Câmara da Marinha Grande contabiliza ainda uma outra vítima mortal no concelho.

Quedas de árvores e de estruturas, corte ou o condicionamento de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações foram as principais consequências materiais do temporal.

Leiria, por onde a depressão entrou no território, Coimbra e Santarém são os distritos que registam mais estragos.

O Governo decretou situação de calamidade entre as 00:00 de quarta-feira até às 23:59 de dia 1 de fevereiro para cerca de 60 municípios, número que pode aumentar.