O concelho de Penela registou prejuízos que superam os 10 milhões de euros na sequência do mau tempo que afetou o país a partir de janeiro, disse hoje à agência Lusa o presidente da Câmara Municipal.
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“Os prejuízos dos equipamentos e infraestruturas municipais são de 4,855 milhões de euros, as coletividades e IPSS [instituições particulares de solidariedade social] religiosas [somam] 557 mil euros, no património cultural tivemos cerca de 254 mil euros e nas freguesias cerca de 100 mil euros nos equipamentos e infraestruturas. Estamos a falar de um valor aproximado de 6 milhões de euros”, detalhou Eduardo Nogueira dos Santos.
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A este valor, somam-se prejuízos de “cerca de 4 milhões [de euros] nas empresas” do concelho e dos particulares, estes últimos que continuam a ser reportados.
Eduardo Nogueira dos Santos adiantou à Lusa que a autarquia vai preparar uma intervenção numa estrada florestal paralela ao IC3, que está interdito, depois de a autarquia ter pedido à Infraestruturas de Portugal (IP) para utilizar aquela via de forma a “diminuir distâncias e a criar mais uma alternativa para o trânsito local”.
“A IP respondeu-nos a dizer que não teriam condições orçamentais para a fazer, uma vez que o foco é na requalificação do ex-IC3, mas autorizaram-nos a fazer essa intervenção e já estamos a falar com os proprietários de terrenos contíguos a essa estrada florestal para chegar a acordo para podermos também vir a intervencionar essa estrada”, explicou.
A obra, adiantou, irá exigir um investimento “sempre superior a 100 mil euros” para o município.
Em relação ao IC3, Eduardo Nogueira dos Santos afirmou que o “grande foco é que o projeto seja aprovado e que seja adjudicado”, para ter máquinas no terreno.
“O importante é chegarmos à fase de obra. Essa é a nossa urgência”, referiu.
Num comunicado emitido a 04 de março, a IP disse estar “a desenvolver os estudos preliminares necessários à elaboração do projeto de execução para o troço do ex-IC3”, no concelho de Penela, distrito de Coimbra.
Pelo menos 19 pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que fizeram também várias centenas de feridos, desalojados e deslocados. Mais de metade das mortes foram registadas em trabalhos de recuperação.
Os temporais, que atingiram o território continental durante cerca de três semanas, provocaram a destruição total ou parcial de milhares de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias, com prejuízos de milhares de milhões de euros.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.
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