A Força Aérea reforçou na madrugada hoje o dispositivo de alerta de oito para 14 aeronaves disponíveis, para a possibilidade de evacuações em Coimbra, enquanto a Marinha teve no terreno mais de 540 operacionais.
“Tratou-se do maior número de meios aéreos disponíveis desde o início das operações”, frisou este ramo das Forças Armadas em comunicado.
A presidente da Câmara de Coimbra, Ana Abrunhosa, afirmou hoje ao final da tarde que o “risco maior” de cheia desapareceu, face às previsões da ocorrência de uma cheia de grandes dimensões que poderia afetar toda a zona ribeirinha do centro urbano de Coimbra.
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A Força Aérea divulgou ainda que realizaram hoje três missões de reconhecimento aéreo com o helicópteros AW-119 Koala, cobrindo os rios Douro, Ave, Tejo, Guadiana e Sado, com “especial enfoque nos pontos críticos” de Alcácer do Sal.
“No total, estiveram empenhados 630 militares, mantendo presença em Alcácer do Sal, Tancos, Leiria e Arruda dos Vinhos, em ações de apoio à população; recuperação de troços rodoviários; remoção de destroços; limpezas de áreas; fornecimento de refeições; disponibilização de banhos quentes, entre outras”, pode ler-se.
Desde o início da resposta às intempéries, a Força Aérea realizou 26 voos, num total de 60 horas de voo e, paralelamente às operações aéreas, este ramo das Forças Armadas mantém a recolha de imagens provenientes de 53 satélites, tendo já fornecido 27 imagens, maioritariamente à Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC).
“No apoio direto à população, foram já asseguradas 1553 refeições, 593 banhos quentes e recolhidas e transportadas cerca de 138 toneladas de bens doados pela população portuguesa, incluindo dos arquipélagos”, frisou ainda.
Já a Marinha e Autoridade Marítima Nacional (AMN) têm neste momento empenhados cerca de 549 militares, militarizados e elementos da Polícia Marítima, 71 viaturas, 56 embarcações, cinco geradores e 17 drones, a que acresce um helicóptero em prontidão.
A Marinha mantém também 47 botes prontos e posicionados para apoio imediato à população nas zonas ribeirinhas com risco de cheias, divulgou este ramo das Forças Armadas.
Em comunicado, Marinha e AMN destacaram o “grande impacto na população de diversas ações executadas (…) que, durante o dia de hoje, contribuíram para o resgate de cerca de 290 animais, para a remoção de mais 29 toneladas de detritos fluviais, bem como a recuperação de infraestruturas, sistemas e transporte diário que servem de apoio a milhares de habitantes”.
Em mais de 7.500 quilómetros de ações de reconhecimento desde o início da resposta às intempéries em Portugal continental, e em coordenação com a ANEPC, Marinha e AMN realizaram o resgate de 282 pessoas “através das embarcações prontas e posicionadas para apoio imediato à população”, removeram 429 toneladas de detritos fluviais ou auxiliaram 395 animais.
Entre outras ações, reconheceram quase 220 quilómetros de infraestruturas elétricas através de sistemas aéreos não tripulados e repararam e apoiaram mais de 335 infraestruturas habitacionais e de serviços públicos.
Dezasseis pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até domingo para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.