A presidente da Câmara de Coimbra afirmou hoje que há a possibilidade de, na manhã de sexta-feira, ocorrer uma cheia centenária na bacia do Mondego, que poderá impactar a Baixa da cidade.
“Depois de uma reunião com a APA [Agência Portuguesa do Ambiente] e com a Autoridade Nacional da Proteção Civil, teme-se a possibilidade de uma cheia centenária em Coimbra”, disse Ana Abrunhosa, numa conferência de imprensa realizada na Casa Municipal da Proteção Civil.
De acordo com a autarca, prevê-se um pico de cheia entre as 08:00 e as 09:00, com novo pico às 15:00, havendo o risco de inundações na Baixa e noutros pontos do centro urbano do concelho: “Está a chover muito nas regiões que canalizam a água para a [barragem] da Aguieira. O caudal do rio Ceira está a aumentar e nós, no açude-ponte [em Coimbra], a linha vermelha são os 2.000 [metros cúbicos por segundo]. Há a probabilidade de atingirmos 2.500 a 3.000 [metros cúbicos por segundo] e, quando se atingirem esses valores, vamos ter água que começa a recuar e a espraiar”, atingindo a zona urbana do concelho.
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Segundo Ana Abrunhosa, além do caudal do Mondego subir, haverá também uma subida das várias ribeiras do concelho e, face aos dias anteriores, as inundações que até agora só afetavam a zona rural do concelho poderão vir a acontecer “na parte urbana”.
“As pessoas devem, se possível, ficar em casa, e evitar deslocações necessárias”, salientou.
A presidente da Câmara de Coimbra dirigiu também uma “palavra de grande solidariedade aos municípios de Montemor-o-Velho e Soure”, que “serão muito afetados”, caso o cenário de cheia centenária se confirme.
A cheia centenária é “um momento completamente diferente daquele que ontem [quarta-feira] tínhamos como cenário”, notou, apelando às pessoas para adotarem comportamentos preventivos e seguirem as instruções das autoridades.
“A barragem da Agueira atingiu o seu limite. Não tem capacidade. As pessoas devem proteger os seus bens, os seus animais, saberem para onde se podem dirigir caso não tenham familiares com quem ficar e nós procuraremos, dentro do que é um grande transtorno, dar todas as condições”, acrescentou.
Ana Abrunhosa realçou ainda que todas as instituições do concelho estão a trabalhar em cooperação, tendo também no terreno o apoio do Exército.
“Com toda a tranquilidade, nós estamos aqui a transmitir esta mensagem, mas há uma coisa que ninguém nos perdoaria, era que não disséssemos a verdade. E o que estamos aqui a dizer às pessoas é a verdade”, disse.
Dezasseis pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.