A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) rejeitou hoje a responsabilidade de falta de energia por questões administrativas, que diz dever-se apenas a danos na estação de bombagem, na sequência da acusação do presidente da Câmara de Montemor-o-Velho.
“Não corresponde à verdade que a falta de energia ou a sua reposição se tenham ficado a dever a quaisquer razões de natureza administrativa, da responsabilidade da Agência Portuguesa do Ambiente”, lê-se num comunicado deste organismo público enviado à agência Lusa.
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No documento, a APA indicou que “a linha de alimentação de energia elétrica da Estação de Bombagem foi danificada na sequência da passagem da tempestade Kristin, comprometendo o funcionamento dos respetivos equipamentos”.
“Acresce que as características dos equipamentos da referida estação inviabilizam o recurso a fontes alternativas de alimentação de energia, nomeadamente a utilização de geradores”, referiu.
Segundo a APA, desde a ocorrência, “têm sido desenvolvidos todos os esforços para a reposição do fornecimento de energia à Estação de Bombagem, em articulação e com o máximo empenho de todas as entidades envolvidas”.
“A APA, em conjunto com as demais entidades, tem desenvolvido um esforço significativo de gestão do Sistema Hidráulico do Mondego durante este período. Esse esforço, que se iniciou semanas antes das tempestades que assolaram o país, contribuiu para impedir que as cheias tivessem consequências mais graves para pessoas e bens”, escreveu no documento no qual assume que “todas as entidades continuam empenhadas, na resolução desta situação” de cheias.
O comunicado de imprensa da APA foi enviado à agência Lusa depois de ter noticiado que o presidente da Câmara de Montemor-o-Velho, no distrito de Coimbra, acusava a agência de não deixar ligar a bombagem que permitiria retirar a água acumulada naquele município do Baixo Mondego, considerando “vergonhosa” a “inoperância” da autoridade ambiental.
A acusação de José Veríssimo, hoje, surgiu na sequência da questão levantada pela agência Lusa se já estava em funcionamento a única bomba instalada nas comportas do Foja, a jusante de Montemor-o-Velho e da povoação da Ereira, isto depois de as autoridades terem estado vários dias a tentar ligar o equipamento.
José Veríssimo começou por dizer não querer falar sobre o assunto, classificando-o de “mais uma vergonha”, mas acabou por falar numa alegada “falta de autorização” da APA para “ligar” a bombagem.
“Infelizmente as pessoas continuam sentadas na cadeira e não querem resolver os problemas”, acusou o autarca.
Na noite de sábado a água acumulada nos campos agrícolas do vale central do Mondego chegou ao centro de Montemor-o-Velho, cortando algumas ruas, já depois de ter isolado, desde quarta-feira, a localidade da Ereira.
Numa nota de imprensa enviada esta tarde à agência Lusa, o presidente de Montemor-o-Velho insistiu na “necessidade de resolução urgente da situação que se verifica na Estação de Bombagem do Foja, nomeadamente a falta de energia elétrica que impede o normal funcionamento do equipamento”.
Uma insistência que tem concretizado no “contacto direto e permanente” com o secretário de Estado da Proteção Civil, Rui Rocha, e com a APA.
Na nota, o autarca reforçou que o concelho de Montemor-o-Velho se encontra atualmente em estado de calamidade, registando-se uma situação particularmente grave no território, com a população de Ereira completamente isolada, fortes condicionamentos nos acessos às freguesias da margem esquerda do rio Mondego, zonas ribeirinhas inundadas e a água já a atingir a vila de Montemor-o-Velho.
“A reposição do funcionamento da Estação de Bombagem do Foja assume-se, por isso, como uma medida urgente e determinante para a mitigação da situação de cheia que o concelho atravessa”, realçou.
José Veríssimo sublinhou que “as bombas se encontram no local, prontas a ser instaladas, sendo por isso absolutamente urgente a concretização da ligação de energia elétrica que permita a sua entrada em funcionamento”.
Catorze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o encerramento de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.