Portugal

Mau tempo: APA defende ordenamento do território como a principal forma de prevenção

Notícias de Coimbra com Lusa | 1 hora atrás em 18-03-2026

O presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) defendeu hoje o ordenamento do território como a principal forma de prevenção às adversidades climatéricas, num debate em que a prevenção e o investimento na proteção civil também tiveram destaque.

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“O ordenamento do território é a principal prevenção que se pode fazer no nosso território para as alterações climatéricas, nomeadamente as cheias. Só tenho risco de cheias se tiver casas em risco, se não, não havia risco de cheias”, afirmou José Pimenta Machado.

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Neste sentido, disse que, atualmente, “há 100 mil pessoas a viver em Portugal em áreas de risco” e considerou que os acontecimentos das últimas semanas “consciencializaram as pessoas de forma real disso mesmo”.

“Tenho dúvidas que depois disto haja pessoas a pedir licenças para construir em zonas de risco”, defendeu José Pimenta Machado, que realçou a necessidade de “dar o espaço ao mar e aos rios que eles ocupavam e vão voltar a ocupar”.

Esse responsável falava hoje em Viseu, na conferência “Da prevenção à ação: estratégias de proteção civil em cenários de risco”, organizado pela Associação dos Trabalhadores da Administração Local (ATAM).

José Pimenta Machado realçou as “medidas muito difíceis de tomar de prevenção e proteção” tomadas, juntamente com os autarcas da região de Coimbra, como “a retirada de pessoas e o corte da autoestrada um (A1), que “evitou muitas mortes”.

O debate contou com a presença de três autarcas: o presidente de Viseu, João Azevedo (PS), o presidente de Murça (distrito de Vila Real), Mário Artur Lopes (PSD), e a vice-presidente de Pombal (distrito de Leiria), Isabel Marto (PSD).

Os três autarcas defenderam a “necessidade de prevenir” as catástrofes, nomeadamente os incêndios, já que “custa dez vezes menos do que combater os fogos, mas para isso também é preciso haver coordenação, sem egos, e trabalhar em equipa”, realçou o presidente da Câmara de Murça.

A autarca de Pombal destacou a “necessidade de um real comando, porque os municípios, supostamente, têm autoridade para gerir” no terreno as operações, “mas na prática não gerem nada, porque não é possível gerir meios que não têm”.

“Até podemos pedir este ou aquele meio para determinado sítio, mas depois é-nos dito: ‘tenho de ir perguntar ao meu comandante se é possível’. E esse comandante, às vezes, ainda tem um outro a quem tem de perguntar se é possível. Ora, assim, não gerimos nada nem temos autoridade nenhuma, porque os meios não são nossos”, vincou.

Isto, depois de ouvir o presidente da Câmara de Viseu a destacar a “real importância de ter uma boa liderança na proteção civil, porque com boas lideranças têm-se boas equipas e meios humanos e técnicos, mas para isso é preciso investimento”.

“No orçamento temos de definir as prioridades e a proteção civil é a nossa prioridade e não tenho dúvidas que temos de investir para termos os melhores a trabalhar em Viseu e na região. E nós, Viseu, temos de ser exemplo para a região”, defendeu João Azevedo.

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