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Coimbra

Matilha de cães vadios assusta em Coimbra (com vídeo)

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Há uma matilha, com mais de uma dezena de cães, que anda à solta na zona sul da cidade de Coimbra e tem estado a assustar alguns moradores, sobretudo na Urbanização Quinta da Portela. Os animais, como andam em grupo, podem ser perigosos e não devem ser alimentados. A Câmara tem feito capturas, mas com o canil a abarrotar não tem onde colocar os que não tem dono nem condições para serem adotados.

Este é um problema antigo e que se tem agravado por falta de soluções. Às autoridades já chegaram queixas que dão conta do medo em relação a estes grupos de animais vadios e há relatos de pessoas que já foram mordidas.

O Notícias de Coimbra teve acesso a um vídeo, filmado na Quinta da Portela a 16 de janeiro, às 00:30, onde se vê um condutor a ser “perseguido” pela matilha. A pessoa não consegue estacionar nem sair da viatura em segurança, refere uma denúncia que chegou ao NDC, dando conta que “poderia ser uma família com menores “dentro do carro. “Solicito medidas de segurança a fim de evitar uma tragédia maior”, apela o morador sem querer ser identificado, considerando que “as políticas protecionistas não se podem sobrepor ao nível de segurança dos cidadãos”.

“No fim de semana estavam mais de 15 e estavam atrás de todos os carros que passavam. Ainda bem que na altura não andava ninguém a pé porque eles não estavam nada simpáticos”, afirma uma moradora. “Na última terça-feira à noite ao passear o meu cão avistei um número bem maior que o habitual (seriam seguramente mais de dez) e acreditem ou não, não foram nada amistosos, valeu-me estar próximo do prédio porque as coisas poderiam ter corrido mal para o meu cão e talvez para mim”, conta um habitante. “Tenho pensado no que poderia ter acontecido se fosse com os meus filhos ou com alguém de mais idade”, acrescenta.

O NDC contactou a Câmara de Coimbra que deu conta que “esta é uma situação bastante sinalizada junto do Serviço Médico Veterinário e Segurança Alimentar (SMVS)”. O vereador Francisco Queirós refere que a “matilha está identificada, que se movimenta numa vasta área e que como os animais funcionam em grupo e são assilvestrados podem assumir uma postura mais perigosa ou agressiva”.

Nesse sentido, explica, têm sido realizadas “inúmeras ações de captura, algumas em colaboração com a PSP, no sentido de resolver ou, pelo menos, minimizar a concentração de cães vadios/errantes nestes locais”. No entanto, “tratando-se de animais com comportamento assilvestrado, não é possível a sua captura direta, sendo necessário o uso de jaulas/armadilhas de captura, com recurso a isco alimentar”. O responsável refere que este método “só é eficaz se os cães sentirem fome, pois, caso contrário, não entram facilmente nas jaulas de captura”.

“Com a boa colaboração de alguns lesados e residentes, já tivemos jaulas armadas, consecutivamente, durante mais de meio ano, mas poucos foram os cães capturados, sendo que parte destes, veio a confirmar-se, tinham mesmo dono”, esclarece o município.

Contudo, “o facto destes animais serem alimentados e protegidos por várias pessoas, em vários locais, tem contribuído para a sua proliferação e multiplicação, dificultando a sua captura”, afirma a Câmara. “Vivo mesmo ao lado da Quinta da Portela e o que se passa é que os cães não saem daqui porque são alimentados por certos moradores”, confirmou um dos habitantes. “Felizmente que há bastantes pessoas que os alimentam, eu inclusivamente, são absolutamente pacíficos. Já chega terem que viver na rua, pelo menos alimento não lhes falta”, retorquiu um outro habitante na zona.

Uma das moradoras mais antigas da Quinta da Portela revela que “a matilha de cães já vivia na urbanização antes da sua construção e acaba por regressar sempre ao seu lar original. Que me lembre houve em tempos uma agressão a uma pessoa. Entretanto parece que está tudo pacífico”.  “A matilha permanente é pacífica são mais ativos durante a noite quando vão à procura de comida. Durante o dia raramente os vejo e quando vejo estão a dormir”, assegura outra habitante. “Não chateiam ninguém, a não ser pelo ruído que por vezes fazem”, adianta outro.

Salientando que estes animais têm “uma estrutura organizativa, uma hierarquia interna com um líder”, Francisco Queirós apela a que não sejam alimentados para que os serviços municipais possam fazer uma gestão da matilha, já que, com o canil cheio, não têm onde os colocar. “O que temos feito é tentar capturar os mais novos e encaminhá-los para adoção” e “sempre que há um animal perigoso proceder também à captura”.

Após a entrada em vigor da lei de 2018 que proíbe o abate de animais nos canis já se tentaram encontrar outras soluções, mas ainda não foi definida uma estratégia nacional. Em Coimbra, por exemplo, foi comprado um “parque para acondicionamento de matilhas depois de recolhidas que ainda não está montado porque obriga a uma série de recursos que não existem”, explica o vereador. Nem os funcionários municipais nem as forças de segurança têm “formação ou recursos materiais para apoiar na recolha”.

Para Francisco Queirós, falta “uma estratégia nacional com uma orientação mais clara”, defendida por veterinários e associações, e com verbas para a formação e equipamentos, como acontece no caso dos gatos silvestres. “Temos uma falta de espaço crónica no canil e depois não podemos juntar estes animais com outros porque matam-se uns aos outros, também não está certo colocá-los numa jaula indefinidamente até morrerem”, sublinha.

 

Veja o vídeo com a matilha na Quinta da Portela:

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