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“Más recordações nunca se esquecem, ficam para o resto da vida”. Ereira relembra cheias de 2001
A freguesia da Ereira, em Montemor-o-Velho revive, 25 anos depois, um dos episódios mais marcantes da sua história: as grandes cheias de 2001. Muitos moradores ainda guardam na memória os dias de isolamento e os barcos improvisados.
Joaquim Romualdo, residente local, recorda os momentos críticos vividos. “São coisas que nunca se esquecem, ficam para o resto da vida, ficam sempre as más recordações”, afirmou. Quando questionado sobre o período em que estiveram isolados, lembra: “No momento não posso precisar, mas pelo menos uns cinco ou seis dias.”
Na altura, a população não tinha alertas prévios. “Caiu a ponte em Montemor, rebentou aquela parte do regadio e a água entrou velozmente para o nosso lado. A bombagem não funcionou e a água não tinha saída. Tivemos que recorrer a um ou dois botes para abrir um rasgo no açude e libertar a água, mas mesmo assim já foi tarde demais”, explicou.
A logística para conseguir alimentos e transporte também foi complicada. Joaquim observa que a comunidade está hoje mais preparada: “Espero que não volte a acontecer. Agora dá-me a ideia que há mais controlo, é coisa que está mais controlada do que naquela altura”.
Ao recordar os tempos mais antigos, o morador contou como a travessia para escolas e cidades vizinhas era feita de barco, em transporte ferroviário e com bastantes dificuldades. “Felizmente tivemos sorte que nunca morreu ninguém afogado, nem houve nenhum acidente. Se fosse em águas mais fundas, não tínhamos hipótese”, disse.