O Presidente da República reagiu esta quarta-feira à morte de um homem em Serpa, arrastado pela corrente ao tentar atravessar uma linha de água, sublinhando a força imprevisível da natureza e deixando um apelo firme à população para evitar comportamentos de risco nos próximos dias.
“Tudo indica que tentou atravessar o rio e acabou por ser vítima de algo que não tinha avaliado totalmente: a força da água”, afirmou o Chefe de Estado, lembrando que, em situações de cheias, incêndios ou tempestades, “a natureza torna-se quase imparável”.
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O Presidente traçou paralelos com outras tragédias recentes, recordando casos em que pessoas perderam a vida ao tentar proteger bens materiais. “Já vimos isto nos incêndios, quando ficaram em casa para defender a habitação, ou quando subiram aos telhados para reparar estragos. Agora aconteceu com alguém que pensou que, como tantas outras vezes, conseguiria atravessar”, disse.
Deixou, por isso, um apelo claro:
“O que se pode pedir aos portugueses é que não se sujeitem a riscos. Não hoje, não amanhã, nem nos próximos dias. Evitem atravessar zonas inundadas e atuem sempre com bom senso.”
Sobre a evolução da situação meteorológica, o Presidente explicou que o agravamento era esperado a partir do final da tarde e durante a noite, podendo prolongar-se ao longo do dia seguinte. “O facto de até agora não se ter verificado o pior não significa que não possa acontecer de um momento para o outro”, alertou.
Questionado sobre se os alertas das autoridades foram suficientes, garantiu ter feito avisos constantes:
“Tenho alertado permanentemente para que as pessoas não se exponham a situações de risco, porque acabam por agravar esse risco.”
O Chefe de Estado foi ainda confrontado com críticas relativas a uma eventual deslocação a Espanha, rejeitando qualquer leitura política da decisão. “O Presidente da República não pensa em erros políticos. Pensa no interesse do país”, afirmou, explicando que a decisão será tomada em articulação com o Rei de Espanha, atendendo à gravidade da situação em ambos os países.
Quanto às falhas nas telecomunicações, reconheceu problemas no terreno, apesar das garantias de melhoria dadas pelas operadoras. “Seria negar a realidade dizer que não houve problemas. Houve, e é uma boa notícia que estejam a ser resolvidos”, afirmou.
O Presidente confirmou ainda que irá manter-se no terreno e reunir com o primeiro-ministro para avaliar a situação. “A prioridade é acompanhar a evolução da noite, do dia de amanhã e das previsões até sábado, e decidir onde é mais necessário estar”, concluiu.