“Manuel ou como se desenha uma casa” em estreia no Teatrão

Notícias de Coimbra | 7 anos atrás em 21-11-2017

O Teatrão estreia, na quinta-feira, em Coimbra, “Manuel ou como se desenha uma casa”, um espetáculo infantil em torno do universo de Manuel António Pina, pintado de ‘nonsense’ e comédia para mostrar “o outro lado das coisas”.

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Depois de em 2016 o Teatrão ter trabalhado a obra poética e as histórias de Sophia de Mello Breyner, a companhia leva este ano ao palco Manuel António Pina, numa lógica que tem vindo a ser seguida pela companhia de, durante quatro anos, criar produções infantis a partir das obras de autores de língua portuguesa.

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“A Sophia era um ser que pairava. O Manuel parte da realidade e transforma-a, com ‘nonsense’, com comicidade, simplicidade e uma ideia muito forte para os miúdos de que é preciso ver outras perspetivas da realidade”, conta à agência Lusa a diretora da companhia de Coimbra, Isabel Craveiro, sublinhando que ficou “deslumbrada com as coisas que não conhecia do Manuel António Pina”.

Para a peça, o grupo de teatro foi às crónicas do Jornal de Notícias, viu documentários e vídeos, falou com amigos do poeta e embrenhou-se na obra para a infância de Pina.

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“Ficámos com uma presença muito forte dele”, nota Isabel Craveiro, considerando que esse outro lado das coisas que encontra na obra de Manuel António Pina – o virar tudo “de pernas para o ar” – marcou muito a construção do espetáculo.

Se as histórias de Pina apontam para outras perspetivas, também a cenografia bebe desse mundo e o cenário desdobra-se, com várias configurações, “em que uma parede pode ser também uma mesa”, sublinhou.

“Há sombras e há várias possibilidades de irmos construindo uma casa. No espetáculo, no fundo, partimos do escritório dele e de elementos realistas que têm um sem número de truques e possibilidades de contar as histórias deles”, acrescentou.

A peça tem como base cinco histórias de Manuel António Pina, numa viagem em que os dois atores do espetáculo desmultiplicam-se em várias personagens para percorrer o universo do autor que faleceu em 2012, disse Isabel Craveiro.

O elemento agregador é o próprio Manuel António Pina, a partir de “um escaravelho da batata que é uma espécie de projeção” do escritor, personagem resgatada do livro “Histórias que me contaste tu”.

“É um narrador com características engraçadas. É um escaravelho sem muita paciência, que anda sempre constipado, que se esquece das coisas, que se atrasa”, sublinhou Isabel Craveiro.

Para além do Manuel António Pina, também os seus gatos aparecem na peça, bem como personagens que preenchiam o imaginário do poeta, como Winnie the Pooh ou Tintin, acrescentou.

“É um espetáculo muito dinâmico, com elementos sempre em mutação e transformação”, considerou Isabel Craveiro, frisando que a peça é uma cocriação, envolvendo elenco, técnico de luz, ilustradora e cenógrafa, entre outros.

Com a exceção da estreia na quinta-feira, o espetáculo vai ser exibido sempre ao sábado, às 17:00, entre 25 deste mês e 06 de janeiro

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