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Manifestações de rua vão regressar a Angola

Notícias de Coimbra | 1 mês atrás em 14-04-2024

 O deputado angolano Nelito Ekuikui, que lidera a ala juvenil da UNITA, defende, em entrevista à Lusa, que o partido deve liderar novas manifestações de rua, para mudar um país que diz ainda ser maioritariamente pobre, analfabeto e esfomeado.

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“Num curto espaço de tempo, o partido voltará para as ruas para liderar as grandes manifestações”, antecipa o antigo secretário da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) em Luanda, cujo trabalho durante a campanha para as eleições de 2022 resultou numa inédita vitória sobre o partido no poder desde a independência, o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA).

Questionado sobre se a passagem para a liderança da ala juvenil, a JURA, depois de ter sido o responsável máximo da UNITA na província de Luanda, representou uma despromoção, Nelito Ekuikui responde que não.

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“Não considero uma despromoção. Eu considero [a JURA] um espaço onde se pode estruturar o pensamento e a participação da juventude na política. E sendo Angola um país jovem, um país jovem, no entanto, em que a juventude tem pouca participação no centro da decisão. O maior desafio que me é colocado enquanto líder juvenil é efetivamente o de instruir e permitir que a juventude alcance os seus objetivos no centro das decisões políticas”, vinca.

Depois das eleições de 2022, em que a vantagem do MPLA sobre a UNITA voltou a cair, repetindo a queda em média de 10 pontos percentuais desde as primeiras eleições pluralistas de 1992, Nelito Ekuikui rejeita a ideia de que a UNITA se acomodou.

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“Eu não considero que a UNITA desapareceu. A UNITA, depois das eleições fez balanços e tem estado a levar a cabo um trabalho de reestruturação interna. A reestruturação interna pressupõe alterações orgânicas daqui e dacolá. O partido tem estado a levar a cabo programas de reestruturação da sua base de dados, dos seus comités locais”, explica.

Trata-se, frisa, de “todo um trabalho que é necessário para depois ir para o terreno”.

“Há esta perceção [de acomodação], mas no terreno o que se vê é outra coisa, a UNITA continua bastante forte, sendo ainda a única alternativa credível e responsável ao poder em Angola, credível e responsável, porque ela está bastante estruturada, enraizada e tem sobretudo uma ideia do que pretende fazer para Angola”, assegura.

“Terminado este processo, como é natural, os partidos precisam fazer balanços, fazer reestruturações internas e determinar limites para voltar para uma ação de presença nas ruas, a nossa atividade é fundamentalmente nas ruas, na mobilização”, acrescenta.

Quanto às figuras tutelares dos partidos históricos angolanos, Nelito Ekuikui defende que estas formações “devem formar figuras capazes de mudarem o contexto presente”.

“Porque nós não podemos estar reféns do passado. A luta do passado justificou-se e o contexto também. No entanto, no passado, Jonas Savimbi, presidente fundador da UNITA, Holden Roberto e Agostinho Neto lutaram para libertar Angola da dominação colonial”, destaca.

O desafio agora é “fundamentalmente, libertar o povo do ponto de vista económico”.

Para o dirigente da UNITA, os africanos ainda não são livres do ponto de vista económico.

“O povo africano de forma geral, de forma concreta de Angola, não tem condições de fazer três refeições ao dia. A sua população é maioritariamente analfabeta, a sua população é maioritariamente pobre. Estes são os desafios do contexto. A UNITA deve apresentar modelos que inspirem a juventude para encetar esta luta”, defende.

Nelito Ekuikui traça um retrato sombrio da realidade em Angola, que diz ter-se degradado “bastante nos últimos anos”.

“Os ativistas são asfixiados, são presos dentro do país, outros são obrigados a abandonar o país para manterem-se livres, fora da sua pátria. Igrejas, pastores são perseguidos, políticos são perseguidos, mas tudo num silêncio”, lamenta.

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