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Macau entre territórios do mundo com maior índice de contaminação de plástico no oceano

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 Um responsável universitário em Macau da disse à Lusa que o território regista a nível mundial um dos maiores índices de contaminação de plástico no oceano e que este é um dos grandes desafios ambientais na região.

O diretor do Instituto de Ciência e Ambiente da Universidade de São José deu como exemplo o Rio das Pérolas, no sul da China, que está entre os dez que mais contribui ao nível da contaminação oceânica com plásticos, microplásticos e nanoplásticos.

Macau, a oeste da foz do rio, que atravessa várias províncias chinesas, tem dados de “um estudo feito há já algum tempo que revela que os índices de contaminação nas praias e zonas costeiras, que afeta plantas e animais, são dos mais elevados do mundo”, explicou David Gonçalves.

“Por um litro de areia, de sedimento, foram encontradas mais de duas mil partículas de microplástico, (…) o que se situa no extremo elevado do que é reportado na literatura, quando nos casos mais baixos se aponta para poucas dezenas ou menos até”, exemplificou o biólogo, especializado na área do comportamento animal e ciências ambientais.

Agora, avançou, está a ser conduzido um estudo que envolve a instituição de Macau e a Universidade do Algarve, em parceria com o Instituto de Oceanologia da Academia Chinesa de Ciência dedicado à quantificação da poluição de também de nanoplásticos na água em sedimentos e organismos, que irá permitir fazer uma análise comparativa.

“E Macau é um bom caso de estudo, neste caso mau, ao nível da contaminação de plástico em geral”, sendo que a investigação vai ser desafiante ao nível da técnica, baseada em análises físico-químicas que permitam a quantificação dos nanoplásticos, diferente daquela que permite obter os índices de contaminação dos microplásticos.

Para além disso, explicou, “a investigação vai procurar perceber o impacto destas nanopartículas nas células, nos organismos, e de que forma podem causar interferência na fisiologia e comportamento normal dos animais”.

Também devido à sua localização geográfica, em Macau não faltam desafios ambientais: a resposta a uma gestão ineficiente dos resíduos sólidos é um deles. E qualquer ação nesta área deve passar por reduzir a proporção de resíduos sólidos e em melhorar a qualidade de gestão dos mesmos, sustentou o académico.

Outro dos elementos de pressão para Macau, com impacto direto no mar, tem a ver com as alterações climáticas, frisou, associando as emissões de carbono na atmosfera, absorvido em parte pelo mar, cuja temperatura aumenta, enquanto, em sentido contrário, o oxigénio diminui, com impacto nas espécies marinhas.

Um fator a ter em conta, sobretudo quando é associado à sobre-exploração de recursos, como a pesca, especialmente numa zona como aquela em que a região de Macau está inserida, “onde há fraca regulamentação”, salientou.

Um sinal de esperança está no facto de se ter assistido recentemente à “transição das quantidades de captura no mar para a aquacultura “, até porque “a China é o produtor ‘número um’ de aquacultura”, lembrou, para concluir: “é um caminho que a meu ver tem de ser feito para aliviar a pressão”.

Uma pressão que é visível na degradação dos ecossistemas costeiros. E que se traduz na degradação das florestas de mangais, ainda que se assista a uma recuperação nos últimos anos, mas ainda longe da cobertura anterior, notou.

Os mangais são ecossistemas naturais, compostos por espécies de plantas nativas, no caso de Macau e das geografias mais tropicais, com um importante impacto na biodiversidade e nos serviços às populações, que vão desde a proteção de tsunamis, controlo da subida das águas até à melhoria da qualidade do ar.

Também aqui, a integração na Grande Baía, um projeto de Pequim de criar uma mega-metrópole de 80 milhões de habitantes de nove cidades chinesas, Hong Kong e Macau, pode ser benéfico para o território, “desde que os planos de integração ambientais passem do papel à prática”, ressalvou.

“Ao nível de Macau acho que temos feito relativamente pouco no setor energético e nos transportes, com a energia a ser praticamente toda importada – e de fontes maioritariamente de origem fóssil -, com Macau a registar um desempenho fraco, considerando até os objetivos da própria China de descarbonização”.

Ou seja, Macau tem de fazer mais para se alinhar com esses objetivos”, concluiu.

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