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Luta dos estudantes realçada na apresentação de exposição em Coimbra

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A ação reivindicativa dos estudantes antes e depois do 25 de Abril de 1974 foi enaltecida hoje, em Coimbra, na apresentação de uma exposição que recorda o contributo das crises académicas para a conquista da democracia.

A comissária executiva da Comissão Comemorativa dos 50 anos do 25 de Abril, Maria Inácia Rezola, corroborando uma intervenção inicial do presidente da Câmara de Coimbra, José Manuel Silva, salientou a importância de os cidadãos saberem “tirar lições da história para o seu dia-a-dia”.

Na abertura da conferência de imprensa, no Convento de São Francisco, José Manuel Silva defendeu que “o tempo reivindicativo dos estudantes nunca deve ser perdido durante a vida”.

Para o autarca, os movimentos estudantis de 1962 e 1969 constituíram, “sem dúvida, a génese e a força motriz que conduziu” ao derrubamento do fascismo pelo Movimento das Forças Armadas (MFA), permitindo o regresso da democracia e das liberdades, após 48 anos de ditadura, desde 1926.

Organizada pela Comissão Comemorativa dos 50 Anos do 25 de Abril e coordenada por Álvaro Garrido, professor de História da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, a exposição, intitulada “Primaveras estudantis: da crise de 1962 ao 25 de Abril”, vai ser inaugurada no dia 10 de dezembro, em vários espaços do Convento São Francisco, na margem esquerda do rio Mondego, podendo ser visitada até ao 25 de Abril de 2023.

“A proibição do Dia do Estudante foi particularmente relevante neste processo”, recordou Maria Inácia Rezola, ao abordar a importância política da Crise de 1962, que teve no estudante Jorge Sampaio, que viria a ser Presidente da República, um dos principais líderes.

E foi neste contexto que a historiadora salientou o contributo que os movimentos estudantis acabaram por ter na “formação das elites” civis e militares, que, depois, em 1974, estiveram no planeamento e na concretização da Revolução dos Cravos.

Importa, na sua opinião, “pensar-se também qual é hoje o papel dos estudantes na construção de um Portugal melhor e mais democrático”.

José Manuel Silva, por sua vez, considerou “fundamental recordar” as lutas estudantis, frisando que “esses tempos não devem sair nunca da memória”.

“Tempos negros em que Portugal era um país bem diferente daquilo que é hoje”, sublinhou, para avisar que os cidadãos devem intervir na sociedade para travar a degeneração dos valores democráticos.

O presidente da Câmara Municipal de Coimbra alertou que “a democracia está permanentemente em risco” e constitui, por isso, “uma conquista diária de que nunca se pode prescindir”, o que, na sua ótica, tem sido evidenciado em diversos países nos últimos anos.

“Existe força estudantil para as eventuais revoluções que temos de fazer”, respondeu o presidente da direção-geral da Associação Académica de Coimbra (AAC), João Caseiro.

Além dos interesses dos estudantes, “existem hoje outras causas societais”, referiu o dirigente, ao preconizar “um papel mais alargado de contacto com toda a sociedade” da parte dos jovens.

O diretor do Departamento de Cultura e Turismo da Câmara de Coimbra, Paulo Pires, divulgou parte da programação cultural da autarquia para os próximos meses e finalizou a sua intervenção com a leitura do poema “Pássaros proibidos”, do jornalista e intelectual uruguaio Eduardo Galiano (1940-2015).

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