Os residentes dos Carregais, (enclave da freguesia de Taveiro em Coimbra), estão preocupados com a possibilidade de inundações e cheias como as ocorridas há 25 anos, apesar de haver ainda esperança de que o cenário não se venha a verificar.
“Estou muito preocupado [com a possibilidade de] que o rio rebente”, admitiu Rui Costa, residente nos Carregais, receoso de que se repitam as cheias de 2001, quando a água atingiu um metro dentro da sua residência. “Recuperei a casa há cinco anos”, contou.
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Rui Costa confessou que tem vivido os últimos dias “muito em sobressalto, a olhar para o ‘site’ da APA (Agência Portuguesa do Ambiente)”, mas ainda assim mantendo alguma esperança de que o pior cenário não se concretize.
A consulta de informação na aplicação da APA é também para Paulo Banaco já uma rotina. Ao início da tarde de hoje (sábado) dizia estar “menos preocupado” face ao que tinha visto.
Paulo Banaco comparou a atual situação com a que foi verificada há 25 anos nesta zona do Baixo Mondego, salientando que agora há mais informação e as pessoas estão alertadas.
“Neste caso, é gerir a expectativa de que nada aconteça e o tempo”, rematou.
Já Clara Pimentel destacou à Lusa a passagem frequente das autoridades por esta zona dos Carregais, localizada na Ribeira de Frades, mas que pertence à União de Freguesias de Taveiro, Ameal e Arzila.
“Há sempre preocupação de que o rio rebente. Já me aconteceu em 2001, mas em 2001 ninguém nos deu satisfação de nada. Agora não, tem vindo a GNR, a junta de freguesia”, afirmou, numa altura em que passava na rua um carro com elementos do Exército e a quem Clara acenou num sinal de estar “tudo calmo”.
Apesar da preocupação dos moradores dos Carregais, há ainda confiança de que o cenário de inundações não se verifique.
“Estou crente. Tenho esperança de que nada irá acontecer”, referiu à Lusa Graça Leitão, que, na sequência dos alertas feitos, chegou já a passar uma noite com familiares, mas acabou por voltar a casa.
Por agora, Graça elevou apenas os eletrodomésticos do chão, como medida de precaução, à semelhança de Maria Alice Leitão. “A gente fica preocupada”, atirou.
No Sporting Clube Ribeirense, o sábado decorria dentro de alguma normalidade, com Cláudia Cortinhas, da direção, a salientar que de manhã tinham decorrido jogos, apesar da chuva e do vento, e que se mantinha o jogo de iniciados agendado para a tarde.
Catorze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.