A Lufthansa está a estudar a criação em Portugal de uma escola de pilotos, inicialmente destinada à Alemanha, com possibilidade de expansão a outros membros europeus da NATO e a diferentes atividades ligadas à aviação no futuro.
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Num encontro com jornalistas, o responsável de estratégia do grupo alemão, Tamur Goudarzi Pour, avançou que o tema está em discussão com o Ministério da Defesa alemão.
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“Ainda não vencemos o concurso, mas acreditamos que é uma excelente oportunidade de negócio”, apontou, acrescentando que a escola poderá não ter fins exclusivamente militares.
Tamir Goudarzi Pour adiantou ainda que a localização da escola ainda não foi decidida, existindo apenas uma opção informal em análise: “Há uma localização casual, mas não quero dar nenhuma informação errada agora”.
No início do mês, o presidente executivo do grupo alemão, Carsten Spohr, tinha adiantado que estavam a avaliar a possibilidade de criar em Portugal uma escola de formação de pilotos, em articulação com a Força Aérea, mas não tinha avançado com mais detalhes.
Esta semana, o responsável de estratégia do grupo detalhou que a escola terá capacidade para formar cerca de 100 pilotos por ano, servindo inicialmente a Alemanha, mas podendo expandir-se a outros membros da NATO, Organização do Tratado do Atlântico Norte.
“Possivelmente não será apenas para a Alemanha, mas também para outros Estados europeus da NATO”, revelou, sublinhando que a área de defesa é “outro segmento em crescimento da Lufthansa Technik”.
Questionado se avançaram com o projeto mesmo que não ganhasse a corrida pela privatização respondeu: “Espero que não percamos. Mas é a mesma situação que a Lufthansa Technik em Portugal. Tomámos esta decisão mesmo sem haver um acordo fechado relativamente à TAP”, lembrou.
O responsável destacou ainda que Portugal oferece condições favoráveis para desenvolver talentos locais, criar carreiras na aviação e reforçar a cooperação europeia em defesa.
A Lufthansa Technik está a construir uma unidade industrial no parque empresarial Lusopark, em Santa Maria da Feira, distrito de Aveiro, dedicada à reparação e manutenção de componentes de aeronaves, num investimento avaliado em centenas de milhões de euros e que deverá criar mais de 700 empregos qualificados até 2027.
Tamur Goudarzi Pour destacou ainda os benefícios indiretos do projeto, incluindo colaboração com universidades, formação profissional e oportunidades de carreira para jovens, mostrando que a escola terá impacto económico e estratégico relevante para Portugal e para a NATO.
O caderno de encargos prevê a alienação de até 44,9% do capital da TAP, com 5% reservado aos trabalhadores, ficando qualquer participação não subscrita sujeita ao direito de preferência do futuro comprador.
Além da Lufthansa, também já demonstraram interesse na privatização a Air France-KLM e a IAG, dona da Iberia.
As propostas não vinculativas para a privatização da TAP deverão ser submetidas à Parpública até 02 de abril e deverão incluir uma componente financeira, como o preço oferecido pelas ações e mecanismos de valorização futura (‘earn outs’).
Os interessados terão ainda de apresentar planos industriais e estratégicos, sinergias e garantias de preservação do estatuto da TAP como operador aéreo da União Europeia.
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