Saúde

Liga de bombeiros alerta INEM que nem sempre quem está mais perto chega primeiro

Notícias de Coimbra com Lusa | 52 minutos atrás em 23-01-2026

 A Liga dos Bombeiros alertou hoje que os meios de socorro estão a ser acionados com base apenas na distância e avisou que nem sempre quem está mais perto é quem chega primeiro.

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Numa carta ao presidente do INEM a que a Lusa teve acesso, o presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP), António Nunes, disse que a informação que lhe tem chegado indica que os Centros Operacionais de Doentes Urgentes (CODU) estão muitas vezes a acionar meios “exclusivamente com base na distância” e que isso está a prejudicar a organização territorial do socorro.

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“O critério de distância tem de ser enquadrado numa matriz de circulação rodoviária, obstrução temporária de vias, horas de ponta em ambiente urbano, etc”, referiu na carta.

Na missiva, a LBP lembrou que os bombeiros têm 90% dos transportes de urgência pré-hospitalares e que normativos técnicos internos que tenham repercussões nos bombeiros “têm de ser acordados com os bombeiros” para serem analisados em conjunto os inconvenientes e as vantagens.

A Liga entende ainda que devem ser tidos em conta os instrumentos legais que consagram que o acionamento dos meios dos corpos de bombeiros “deve fazer-se tendo em conta as áreas de atuação atribuídas a cada um deles”, permitindo situações “de caráter excecional”, que não pode de forma sistemática ser substituído “por um mero critério único de distância”.

Contactado pela Lusa, o presidente da LBP lembrou que o INEM “deu uma diretiva interna para acionar o meio mais próximo, entendendo o mais próximo como a distância mais curta”.

“E isso nem sempre é verdade”, sublinhou o responsável, exemplificando: “Se for de manhã, para transportar um doente de Almeirim para Santarém, a distância mais curta é através da ponte de Almeirim. Mas se for pela ponte da A13, que são mais 10 a 15 quilómetros, chega lá mais depressa”.

A matriz para o acionamento de meios de socorro “tem de ser construída de acordo com as situações”, disse.

“O que nós dissemos ao INEM foi que não pode unilateralmente aplicar um critério que é determinado pelo Google e não pelas condições reais do terreno”, acrescentou.

António Nunes exemplificou ainda: “Eu aciono uma ambulância de Tondela, no critério da proximidade. E ela não vai para o hospital mais próximo, vai para o hospital de referência [Coimbra]. Isso significa que Tondela fica todo o dia sem ambulância, pois ir de Tondela a Coimbra e voltar são pelo menos quatro horas. Para economizar 50 ou 30 segundos desguarneci um concelho, quando a ocorrência foi no concelho do lado”.

O presidente da LBP insistiu que o critério de acionamento de meios que consta do acordo com o INEM é o da área [geográfica] de atuação dos corpos de bombeiros e recordou que o instituto “não paga 100% da equipa/ambulância”, sendo o restante pago pelo município ou pela associação.

“Se o corpo de bombeiros só recebe 60% ou 70% das despesas, tem de ir à câmara municipal e aos sócios buscar o resto, os sócios depois não entendem, por exemplo, que o concelho fique sem ambulância”, afirmou.

Considerando meritória a tentativa do presidente do INEM de encontrar respostas para as diversas situações que encontrou quando chegou ao instituto, António Nunes lembrou: “Quando nós lhe dissemos que sim, que o P1 [situação emergente] devia ter o critério da proximidade, não era o critério da distância. Isso é diferente”.

“O princípio pode estar bem. Agora, é preciso um conjunto de normativos técnicos, administrativos e de correlação que não foram estudados”, afirmou o responsável, acrescentando: “Às vezes as mudanças são complicadas de fazer, não porque elas não sejam possíveis, mas porque têm implicações fortes noutros domínios. É o caso”.

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