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Política

Líderes de distritais do CDS-PP pedem adiamento do congresso

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Vários líderes distritais do CDS-PP apelaram ao presidente do partido para que convoque um Conselho Nacional extraordinário com vista a adiar o congresso eletivo marcado para o final de novembro, na sequência da crise política.

“A realização de um congresso em vésperas de eleições alhearia o partido da importante tarefa que o nosso eleitorado espera de nós. É por isto que lhe pedimos que solicite, com urgência, a realização de um Conselho Nacional extraordinário que desconvoque o congresso e que mobilize o partido para a sua missão essencial: ganhar o país”, pedem os dirigentes.

Através de uma carta enviada ao presidente do CDS-PP, Francisco Rodrigues dos Santos, estes centristas defendem que “o agravamento, por mais um mês, do clima de guerrilha e de agressividade interna” que se tem sentido desde que o congresso foi convocado “não só não dignifica o partido, como desvia do essencial e não esclarece os eleitores”.

“Pior: não passa de um tremendo frete ao Partido Socialista”, defendem.

A carta enviada ao líder do CDS-PP, e à qual a agência Lusa teve hoje acesso, é assinada pelo presidente do CDS-PP/Açores, Artur Lima, e também pelos presidentes das comissões políticas distritais de Aveiro, Ricardo Silva, de Coimbra, Jorge Alexandre Almeida, de Leiria, Rosa Guerra, do Porto, Fernando Barbosa, de Santarém, Pedro Pereira, de Setúbal, João Merino, de Viana do Castelo, Paulo Sousa, de Vila Real, Gonçalo Nascimento Alves, e de Viseu, José Pinto.

Assinam também delegados distritais de Beja, Bragança, Portalegre e Faro.

Os subscritores notam que o 29.º Congresso foi antecipado por dois meses para permitir “ao partido ganhar tempo na consolidação da sua estratégia de afirmação externa”, mas entretanto “tudo mudou” e, “com o chumbo do Orçamento do Estado, o Governo socialista precipitou o país para uma crise política, tornando inevitável a imediata antecipação das eleições legislativas”.

Na ótica destes democratas-cristãos, a “definição de uma estratégia e de um programa eleitoral, a par de uma equipa para apresentar aos eleitores, deve ocorrer em clima de conciliação e de união”.

“Com eleições legislativas num prazo máximo de 60 dias, este não é o tempo adequado para o debate interno. Depois daquelas, teremos tempo de esgrimir as diferenças e as divergências que nos separam. Até lá, a legitimidade dos órgãos do partido é indiscutível”, frisam ainda na carta enviada ao líder do CDS-PP.

O 29.º Congresso do CDS-PP está agendado para os dias 27 e 28 de novembro e são candidatos à liderança o atual presidente, Francisco Rodrigues dos Santos, e o eurodeputado e líder da distrital de Braga, Nuno Melo.

O CDS-PP convocou para hoje uma reunião da Comissão Política Nacional, órgão alargado de direção do partido, “com caráter urgente”, para “análise da situação política do partido e do país”, disse à Lusa fonte oficial.

O presidente do CDS-PP, Francisco Rodrigues dos Santos, tinha admitido que o congresso do partido pudesse ser adiado caso o Orçamento do Estado para 2022 (OE2022) fosse chumbado, como se verificou na quarta-feira.

O candidato à liderança do CDS e eurodeputado Nuno Melo escreveu hoje de manhã na rede social Facebook: “Quem queira evitar o voto dos militantes num congresso que por vontade própria pediu, com medo afinal de o perder, depois da soberba de quem esmagaria outras alternativas, não terá qualquer legitimidade, nem respeito por si próprio, representando CDS em legislativas perante o país”.

“E quem queira apresentar-se nas urnas no final de janeiro ou início de fevereiro, num momento em que já terminou o mandato, perdeu qualquer noção do sentido da democracia que o CDS ajudou a fundar em Portugal”, concluiu.

A Assembleia da República ‘chumbou’ na quarta-feira, na generalidade, o OE2022, abrindo caminho a eleições legislativas antecipadas.

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