Crimes

Leva arma para internamento e mata mulher a tiro dentro do quarto

NOTÍCIAS DE COIMBRA | 57 minutos atrás em 20-03-2026

Imagem: DR

Quando deu entrada na Casa de Saúde de Santa Catarina, no Porto, a 4 de setembro de 2025, para ser internado devido a um quadro psicótico, Pedro Martins, de 51 anos, levava escondida na bagagem uma arma ilegal.

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Segundo o Correio da Manhã, tratava-se de um revólver de calibre .32, adquirido meses antes por três mil euros a um cabo da GNR no ativo.

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Na madrugada seguinte ao internamento, dentro do quarto, o empresário terá disparado sobre a mulher, Elisabete Martins, da mesma idade, enquanto esta dormia, atingindo-a com quatro tiros que se revelaram fatais. Depois, tentou pôr termo à própria vida, mas acabou por sobreviver. Encontra-se atualmente internado e foi acusado de homicídio e detenção de arma proibida.

De acordo com o mesmo jornal, o militar da GNR que vendeu a arma, de 42 anos, vai também a julgamento, acusado de tráfico de armas agravado, por ser elemento das forças de segurança. Os dois conheceram-se no início de 2025, num estúdio de massagens terapêuticas explorado pelo guarda em Felgueiras, onde Pedro Martins era cliente. Terá sido nesse contexto que o empresário manifestou interesse em adquirir uma arma, tendo escolhido um dos exemplares apresentados pelo militar.

A investigação indica que a arma foi entregue fora dos circuitos legais e sem qualquer documentação. O Ministério Público sublinha que o cabo da GNR tinha consciência da perigosidade do objeto e da sua capacidade para causar danos graves ou mesmo a morte. Acresce que conhecia o estado psicológico do empresário e mantinha, à data, uma relação com uma das filhas do casal.

O estabelecimento de massagens foi entretanto encerrado, mas o militar mantém-se em funções no posto da GNR de Porto de Mós. O caso foi comunicado às entidades competentes, incluindo a própria GNR e a Inspeção-Geral da Administração Interna, não sendo ainda conhecido se foi instaurado processo disciplinar.

A vítima mortal, Elisabete Martins, deixa três filhos. Foi atingida na cabeça, no tórax e nos braços. Já o arguido disparou sobre si próprio, numa tentativa de suicídio.

Ainda segundo a mesma fonte, a acusação descreve Pedro Martins como portador de uma perturbação mental grave, que compromete a sua capacidade de distinguir o certo do errado. Apesar disso, o Ministério Público alerta para o risco elevado de repetição de comportamentos semelhantes, defendendo a aplicação de uma medida de segurança em vez de uma pena tradicional, devido à sua inimputabilidade.

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