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Coimbra

Leslie: Bussaco a caminho da recuperação total com limpeza e plantação de árvores autóctones

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Um ano após ter sido duramente atingido pela tempestade Leslie, o Bussaco está em “avançado processo de recuperação” coordenado pela Câmara da Mealhada e Fundação Mata do Bussaco, e suportado por dinheiros públicos e apoiado por voluntários.

A passagem do furacão Leslie por Portugal, onde chegou como tempestade tropical em 13 de outubro de 2018, atingiu duramente os 105 hectares murados da Mata Nacional do Bussaco e zonas vizinhas, deixando um rasto de árvores caídas, edifícios atingidos e estradas cortadas.

O impacto foi tão grande que o Palace Hotel ficou isolado durante dias e a Mata teve que fechar as portas por questões de segurança, por decisão da Fundação Mata do Bussaco, presidida por António Gravato.

Foram três meses de intenso trabalho até poder reabrir a Mata, mesmo no final de 2018. Mas as marcas da tempestade tropical ainda estão à vista, os trabalhos prosseguem e continuarão a ser investidos fundos na recuperação do património vegetal e edificado, prometem os responsáveis do Bussaco, que agradecem o apoio do secretário de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural, Miguel João de Freitas, que avaliou os estragos no local poucas horas depois da passagem da tempestade.

Segundo um relatório interno da Mata, numa primeira avaliação dos estragos, no valor de meio milhão de euros, “estimou-se em 616 árvores adultas para abate, traçagem, rechega, transporte e deposição em estaleiro para alienação a depositar no Parque dos Leões, 16 km de caminhos obstruídos e 12 estruturas edificadas com graus de destruição significativos”.

A tempestade derrubou também três árvores históricas, que pertenciam ao trilho nacional de árvores notáveis, e deixou isoladas 60 pessoas no Palace Hotel e 14 nas casas de alojamento local espalhadas pela mata.

Para retirar as árvores caídas, “desimpedir os caminhos, minimizar os riscos e operacionalizar um plano de intervenção,” a FMB e a Câmara da Mealhada avançaram com uma empreitada de emergência, com o concurso público a ser preparado em apenas 15 dias. O objetivo, que viria a ser alcançado, era o de reabrir a Mata, em condições de total segurança, no último dia de 2018.

A reabertura assinalou o fim da primeira fase do plano de intervenção nos 105 hectares de floresta. Segundo estimativas da FMB, o encerramento forçado da mata durante quase três meses representou “um rombo” em termos de receitas de bilheteira a rondar os 200 mil euros.

Esta primeira fase de limpeza e reparação foi financiada em mais de 220 mil euros pelo Fundo Florestal Permanente. Foram triturados 1326 m3 de ramagem pesada, depositados 1.536 rolos de madeira podre, de refugo e rolaria para serração num volume de 827 m3, tudo feito com maquinaria pesada.

Os trabalhos foram sempre acompanhados por voluntários. Empresas como a Sociedade da Água de Luso financiaram também a plantação de pelo menos 35 mil árvores nas áreas da mata mais afetadas pela tempestade.

Foram plantadas unicamente espécies autóctones: azereiro, carvalho, pinheiro manso, aderno, azevinho, pirliteiro, sobreiro, gilbardeira, medronheiro, por voluntários da Mata, funcionários da empresa e por figuras públicas.

A par com as obras de limpeza e reabilitação do património arbóreo, continuou a reabilitação do Convento e as capelas da Mata Nacional do Bussaco, intervenção de 18 meses que representou um investimento global de um milhão de euros.

A empreitada, inaugurada em julho, foi cofinanciada em 85 por cento por fundos comunitários, sob orientação da Direção Regional de Cultura do Centro, com quem a autarquia celebrou um contrato que lhe garantiu a condição de “dono da obra”.

O processo de reabilitação da Mata ainda está em curso, prevendo pelo menos mais 200 mil euros de investimentos.

Segundo o mesmo relatório, falta fazer a remoção da ramagem fina que prolifera por toda a mata. “As ações de voluntariado têm dado contributo muito importante nesta remoção, acumulando junto dos caminhos para posterior trituração”, reconhece a FMB.

Previstos estão ainda diversos trabalhos, como “a cirurgia das árvores com desmontagem de ramos, pernadas e bicadas que desequilibram as árvores afetadas ou constituem perigo de queda dalgum destes componentes” e o combate a espécies arbóreas agressivas que tendem a ocupar o espaço e clareiras abertas pela remoção das árvores afetadas pela tempestade Leslie, como sejam as acácias, pitosporum, ácer negundo e salgueiros.

Com 105 hectares, a Mata Nacional do Buçaco foi plantada pela Ordem dos Carmelitas Descalços no século XVII, encontrando-se delimitada pelos murros erguidos pela ordem para limitar o acesso.

O conjunto monumental do Bussaco apresenta um núcleo central formado pelo Palace Hotel do Bussaco e pelo Convento de Santa Cruz, a que se juntam as ermidas de habitação, as capelas de devoção e os Passos que compõem a Via Sacra, a Cerca com as Portas, o Museu Militar e o monumento comemorativo da Batalha do Bussaco.

Os cruzeiros, as fontes (com destaque para a Fonte Fria com a sua monumental escadaria) e as cisternas, os miradouros e as casas florestais, compõem o vasto conjunto do património.

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