Educação

Lanches escolares em município no distrito de Coimbra têm o dobro das calorias recomendadas

Notícias de Coimbra com Lusa | 3 meses atrás em 11-01-2024

Imagem: Depositphotos.com

 Os lanches servidos a alunos do pré-escolar e 1.º ciclo num município não revelado do distrito de Coimbra apresentam um valor energético superior ao recomendado, concluiu um estudo realizado pela Escola Superior de Tecnologia da Saúde hoje divulgado.

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Segundo dados do estudo da ESTeSC, escola superior do Instituto Politécnico de Coimbra (IPC), a que a agência Lusa teve hoje acesso, “80% dos lanches servidos aos alunos do pré-escolar e 1.º ciclo apresentam um valor energético superior ao recomendado”, com os lanches da manhã a apresentarem um valor de calorias “quase duas vezes superior ao aconselhado, bem como quantidades desajustadas de proteína e gordura”.

Realizado no âmbito da pós-graduação em Nutrição, Alimentação Coletiva e Restauração da ESTeSC-IPC, o estudo decorreu ao longo de quatro meses e notou que, de acordo com as recomendações, o lanche da manhã de uma criança com idade entre os 03 e os 06 anos não deve exceder 140 quilocalorias (kcal).

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Já no caso de crianças entre os 07 e os 10 anos, é recomendado um consumo máximo de 164 kcal.

“Ora, os lanches da manhã servidos naquele município apresentavam, em média, 266,5 kcal, havendo dias em que ultrapassavam as 300 kcal”.

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Por outro lado, também a quantidade média de gordura e hidratos de carbono servidos apresentava valores superiores aos aconselhado: 9,5 gramas de gordura, em média, em vez das 4,5 gramas (03-06 anos) ou 5,5 gramas (07-10 anos) máximas recomendadas.

Os hidratos de carbono, onde se incluem os açúcares, quase duplicavam face aos valores recomendados para as crianças mais novas (mais 85%) e representavam mais 58% para os mais velhos, um problema, alegaram os autores do estudo, que se verificava de manhã e se repetia no período da tarde.

“O consumo de refeições intermédias híper energéticas, híper lipídicas e híper glucídicas contribui, a longo prazo, para o surgimento de obesidade e doenças crónicas associadas. Simultaneamente, poderá comprometer a ingestão completa da refeição subsequente (nomeadamente o almoço) com impacto no desperdício alimentar e comprometimento do aporte energético e nutricional diário”, alertou João Lima, docente da ESTeSC-IPC e um dos autores do trabalho.

De acordo com o especialista, citado na nota enviada à Lusa, tipicamente, as refeições intermédias da manhã no município em análise eram compostas por leite, acompanhado por pão com manteiga/queijo ou bolachas, enquanto os lanches da tarde tinham uma composição mais variada, podendo conter frutas/vegetais ou um queque tipo “madalena”.

“Ajustar quantidades (por exemplo, reduzindo o tamanho do pão servido) e o perfil nutricional dos alimentos permitiria equilibrar estas refeições”, defendeu João Lima, recomendando que o lanche das crianças inclua um laticínio, um fornecedor de hidratos de carbono (por exemplo pão, preferencialmente de mistura e não processado, ou, em sua substituição, frutos gordos e oleaginosos) e fruta ou hortícolas.

Os autores destacaram ainda que, na sequência da realização do estudo, o município em causa “realizou algumas alterações interessantes” na composição dos lanches das crianças, substituindo o queque – “um alimento que, além de calórico, é processado” – por pão com manteiga de amendoim, indicou o docente da ESTeSC.

Para além de João Lima, participaram na elaboração do estudo Rita Melo, Ana Lúcia Baltazar, Ezequiel Pinto e Sónia Fialho, tendo sido analisadas as refeições intermédias (100 de manhã e 130 à tarde) fornecidas às crianças no município em questão.

Denominado, em inglês, “Are intermediate school meals a real contribution to improve a healthy and sustainable diet?”, o trabalho da ESTeSC-IPC foi publicado no British Food Journal.

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