Portugal

Lampreia gosta da água da chuva mas as intempéries estragam a vida aos pescadores

Notícias de Coimbra com Lusa | 26 minutos atrás em 09-02-2026

 Os pescadores do rio Lima e Minho estão a ter dificuldade em capturar lampreia por causa do mau tempo, mas reconhecem que a chuva que tem caído é boa para garantir “fartura” de exemplares.

“É a maior crise de sempre, não há memória. Não por falta de peixe, mas pelas condições meteorológicas. Tem sido demais. Estamos a viver uma crise tremenda. Há mês e meio que não temos conseguido trabalhar por causa das intempéries”, disse hoje à agência Lusa o presidente da associação de pescadores do rio Minho, Augusto Porto.

A faina da lampreia decorre na época em que a espécie volta a entrar nos rios, na direção da nascente, para cumprir a fase de reprodução.

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A lampreia pode medir mais de um metro e pesar cerca de dois quilogramas, sendo considerada uma iguaria da região do Minho.

Segundo Augusto Porto, a captura de lampreia no rio Minho começou a 05 de janeiro e deveria terminar no dia 31 de abril, no entanto, devido ao mau tempo, os pescadores pediram a prorrogação do prazo por uma semana, até ao final da primeira semana de abril.

“A lampreia gosta da água doce, mas a chuva já é demais. Não conseguimos trabalhar com tanto mau tempo. Na zona da barra, da foz do rio Minho, é que não consegue trabalhar mesmo. Os que estão a montante veem-se a braços com o lixo, os inertes e as árvores que o rio arrasta, o que torna impraticável lançar as redes”, explicou.

Para Augusto Porto, as embarcações que andam na faina, “cerca de 150 entre portuguesas e espanholas, estão a passar um momento muito difícil”.

“Eu fui trabalhar, quatro marés, na primeira semana de janeiro e, partir daí não fui mais ao rio. É na altura da lampreia e do meixão que ganhamos a vida, o nosso sustento para o ano está posto em causa. Estamos em meados de fevereiro e não há lampreias capturadas. Poucas foram apanhadas até agora”, disse.

Augusto Porto acrescentou que no rio Lima os pescadores trabalham com redes diferentes das utilizadas no rio Minho e, por isso, mesmo com tempestades conseguem capturar alguma lampreia.

No rio Lima, onde operam cerca de 60 embarcações, a captura “está a correr melhor que no ano passado”, apesar do mau tempo.

O presidente da associação de pescadores do rio Lima, Fernando Ferreira, disse que as intempéries prejudicam mais os pescadores que as lampreias”, sendo que os exemplares capturados são sobretudo grandes.

“A lampreia gosta de água da chuva, água doce, mas o que é demais é erro. Para já está a correr melhor que no ano passado. No ano passado bateu no fundo. A quantidade capturada foi mínima. Nunca houve ano tão fraco”, frisou Fernando Ferreira.

Nas pesqueiras do rio Minho, em Melgaço, inscritas no Inventário Nacional do Património Imaterial, a época da lampreia começa no domingo e termina no dia 31 de abril.

Diogo Castro, que tem “alguns dias em várias pesqueiras”, considerou que a chuva intensa que tem caído “é benéfica, porque as lampreias vão atrás da água doce que entra no mar e, assim, conseguem subir mais no rio Minho”.

“O rio Minho corre alto e as lampreias têm tendência a subir mais. Quando há pouca água é mais difícil as lampreias chegarem cá”, disse.

Fronteira natural entre o Alto Minho e a Galiza, o curso internacional do rio Minho concentra, nas duas margens, só no troço de 37 quilómetros, entre Monção e Melgaço (Viana do Castelo), cerca de 900 pesqueiras, “engenhosas armadilhas” da lampreia, do sável, da truta, do salmão ou da savelha.

Das 900 pesqueiras existentes no rio Minho, em Portugal estão ativas 150 e, do lado espanhol, cerca de 90.