O Notícias de Coimbra esteve no concelho de Soure, onde a Câmara Municipal improvisou um refeitório para garantir refeições a todas as equipas que estão no terreno a combater os efeitos do mau tempo.
O espaço tornou-se também um ponto de encontro operacional numa altura em que as comunicações falharam, permitindo coordenar os trabalhos de emergência.
Entre as histórias de dedicação destaca-se a de Carlos Lopes, funcionário municipal que, desde a madrugada de quarta-feira, praticamente não parou para descansar. Apesar de ter sido aconselhado a ficar em casa, decidiu regressar ao trabalho para ajudar a população. “Fazemos o esforço porque temos um presidente que merece tudo o nosso esforço pela situação que está a acontecer. Anda sempre no terreno connosco”, afirmou.
O dia foi ainda mais simbólico para o trabalhador, que celebrou o 48.º aniversário em plena operação de emergência — com direito a dois “Parabéns” cantados pelos colegas. Com 25 anos de serviço, garante nunca ter vivido uma situação semelhante: “Já passei algumas, mas como esta nunca.”
Segundo a autarquia, o concelho foi fortemente afetado, com inúmeras ocorrências, árvores caídas e infraestruturas danificadas. Houve momentos em que 61% dos clientes domésticos ficaram sem eletricidade, número que já foi reduzido para menos de 10%, graças ao esforço conjunto das equipas.
O presidente da Câmara Municipal, Rui Fernandes, sublinhou o empenho dos trabalhadores: “Já não tenho uma equipa de trabalho, tenho um exército de fanáticos de serviço público.” Recordou ainda que, na primeira noite, com apenas duas retroescavadoras disponíveis, Carlos Lopes foi um dos primeiros operacionais a garantir ligações de emergência, incluindo acessos fundamentais.
Outra história que ilustra este espírito é a de João Canelas, eletricista especializado e pai há apenas duas semanas de um menino – José João. Com a sua localidade isolada, percorreu cerca de quatro quilómetros de bicicleta, ultrapassou árvores e outros obstáculos, para chegar ao estaleiro e ligar um gerador no centro de saúde, assegurando apoio básico à população.
Criado por necessidade, o refeitório acabou por reforçar o sentimento de união entre trabalhadores municipais, técnicos, bombeiros e empreiteiros. “Hoje já não se distingue quem é da Câmara ou das empresas — somos uma família com o objetivo de reerguer o concelho”, destacou o autarca.
Apesar do rasto de destruição, o ambiente em Soure é de entreajuda e determinação, com equipas a trabalhar 24 horas por dia para devolver a normalidade à população.