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Juan Carlos despede-se de família mais próxima e regressa a Abu Dhabi

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O ex-rei de Espanha, Juan Carlos, deixou hoje ao fim da tarde o Palácio da Zarzuela, onde se reuniu durante o dia com o seu filho, o rei Felipe VI, assim como com a Rainha Sofia e outros familiares.

Juan Carlos não fez declarações aos muitos jornalistas que esperavam pela sua partida na entrada principal do palácio, de onde partiu para o aeroporto de Barajas (Madrid) para viajar para Abu Dhabi às 22 horas (menos uma hora em Lisboa) no avião privado em que chegou a Espanha na quinta-feira passada.

A Casa Real classificou esta reunião de 11 horas como “um encontro familiar na esfera privada”, o que significou que não houvesse qualquer cobertura noticiosa dentro do palácio.

O Felipe VI e o Rei Emérito discutiram “assuntos de família” e vários acontecimentos durante a sua reunião no Palácio da Zarzuela, de acordo com um breve comunicado da Casa Real espanhola.

O monarca e o seu pai “tiveram um tempo amplo de conversa sobre assuntos familiares, bem como sobre diferentes acontecimentos e suas consequências na sociedade espanhola” desde que Juan Carlos se mudou para Abu Dhabi em agosto de 2020.

Além disso, segundo o comunicado, Juan Carlos participou num almoço familiar com a Rainha Letizia, assim como a Infanta Elena e os seus dois filhos e a irmã do rei emérito, a Infanta Margarita e o seu marido, Carlos Zurita.

Segundo Zarzuela, “Dona Sofia [mulher de Juan Carlos] não pôde participar no almoço, pois deu positivo à covid-19 […], embora tenha permanecido com o resto da família na sala de almoço com a máscara necessária e as medidas de ventilação correspondentes”.

Juan Carlos não via grande parte da sua família há quase dois anos, desde agosto de 2020, quando decidiu mudar-se para Abu Dhabi, onde reside, depois de ter sido noticiado o seu alegado envolvimento numa série de negócios irregulares.

Cinco dias depois da decisão em 02 de março passado do Ministério Público de encerrar os casos pendentes, o rei emérito escreveu ao filho, Felipe VI, para expressar o seu desejo de regressar a Espanha e “lamentar sinceramente” a forma como conduziu a sua vida privada.

O governo espanhol criticou hoje Juan Carlos por ter terminado a sua primeira viagem a Espanha, depois de dois anos sem ter dado explicações pelas suas ações “pouco éticas ou exemplares”, e por não ter sido “mais cuidadoso” durante os dias que passou em Sanxenxo (Galiza) numa regata.

O desconforto do executivo foi expresso pela porta-voz, Isabel Rodríguez, depois do rei emérito ter insinuado que não pretende dar contas pelo que tem feito nos últimos anos e pela forma como fez a gestão do seu dinheiro no estrangeiro.

“Explicações, do quê?”, disse o antigo chefe de estado no domingo, interrogado pelos jornalistas em Sanxenxo, onde se encontra desde quinta-feira passada em casa de um amigo.

Mas a voz mais crítica no Governo espanhol liderado pelo Partido Socialista espanhol (PSOE) vem do seu parceiro minoritário na coligação, o Unidas Podemos, de extrema—esquerda, que não poupa críticas a Juan Carlos nem à monarquia espanhola.

O Ministro do Consumo e coordenador-geral da Esquerda Unida, Alberto Garzón, recordou hoje que o rei emérito “não tinha sido uma pessoa qualquer” e, portanto, “tem pelo menos uma responsabilidade ética, não apenas legal” com o povo espanhol.

Numa entrevista à televisão pública, TVE, Garzón salientou que Juan Carlos “reconheceu que tinha cometido um crime” e que foi acusado pelo Ministério Público de crimes como suborno, tráfico de influência e lavagem de dinheiro.

“Estamos perante uma expressão muito clara do que tem sido a sua impunidade pelos seus atos ao longo do seu reinado”, disse, salientando que Juan Carlos “foi salvo de todos os procedimentos legais pela proteção de outras monarquias, por procedimentos legais que tinham prescrito e porque era inviolável”.

À direita, o líder do Partido Popular Alberto Núñez Feijóo defendeu o “direito” de Juan Carlos a “regressar a Espanha” depois de os tribunais terem encerrado as suas investigações.

Juan Carlos passou o fim de semana em Sanxenxo (Galiza), onde chegou na quinta-feira para ver alguns amigos e participar numa regata de barco à vela.

Questionado pela imprensa no domingo sobre a reunião familiar, o rei emérito assegurou que esperava “muitos abraços”, porque está “muito” ansioso por “ver a família”.

Elena de Borbón (filha) foi o único membro da família que deu as boas-vindas, na quinta-feira passada em Vigo, a Juan Carlos e esteve com ele em Sanxenxo até sexta-feira, tendo ainda o rei emérito também visto o seu neto Pablo Urdangarin num jogo de andebol em Pontevedra (Galiza) no sábado.

O regresso faz parte do desejo do rei emérito de “viajar frequentemente a Espanha para visitar a família e amigos, e organizar a sua vida pessoal e o seu local de residência em âmbito de caráter privado”, segundo um comunicado da Casa Real publicado na quarta-feira passada.

Juan Carlos saiu de Espanha depois de um escândalo financeiro relacionado com o recebimento de alegadas comissões milionárias, estando um dos casos ligado a suspeitas de recebimento de 65 milhões de euros em comissões para a construção do comboio de alta velocidade Medina-Meca, outro a alegadas doações não declaradas e um terceiro a suspeitas de ter escondido fundos em paraísos fiscais.

Apesar de o antigo monarca de 84 anos ter visto as investigações judiciais contra si encerradas, as revelações sobre a origem duvidosa da sua fortuna minaram a imagem desta personalidade, que durante décadas foi muito respeitada e gozou de uma grande popularidade, devido ao seu papel durante a transição democrática de Espanha, após a morte do ditador Franco em 1975.

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