A JADRC – Jovens Associados para o Desenvolvimento Regional do Centro reconhece a importância da barragem de Girabolhos, mas subscreve as exigências de contrapartidas do presidente da Câmara de Seia pela sua construção.
“A construção de infraestruturas públicas de grande envergadura deve ser acompanhada não só de benefícios técnicos e ambientais, mas também de um quadro de compromissos que reforcem a coesão territorial e contribuam para corrigir desigualdades estruturais que afetam o interior do país”, defende a associação sediada em Coimbra num comunicado enviado à agência Lusa.
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Na quarta-feira, Luciano Ribeiro, presidente da Câmara de Seia, no distrito da Guarda, exigiu, como contrapartidas para a construção da barragem de Girabolhos, “a correção imediata do tarifário da água cobrado em alta, que penaliza severamente os municípios do interior, e a concretização das acessibilidades rodoviárias (IC6, IC7, IC37, IC12) há décadas prometidas e sistematicamente adiadas”.
“Mais do que a barragem de Girabolhos, isto sim, são investimentos fundamentais para o desenvolvimento da região e bem-estar das suas populações”, justificou Luciano Ribeiro em comunicado enviado à agência Lusa.
A JADRC subscreve “integralmente” a posição do autarca senense quanto à exigência de “contrapartidas claras, vinculativas e concretas por parte do Governo como condição de justiça territorial no quadro deste processo”.
A associação reconhece que a construção desta barragem no rio Mondego é um projeto “de grande relevância para a região Centro e o Vale do Mondego, pela sua contribuição potencial para a gestão hídrica, mitigação de cheias e fortalecimento da resiliência territorial”.
Considera, no entanto, que as exigências do autarca de Seia são “condições fundamentais para que o processo da barragem de Girabolhos seja verdadeiramente integrado num projeto de desenvolvimento sustentável e equilibrado, que respeite os territórios onde a obra se insere e promova justiça territorial”.
A JADRC apela, por isso, a um diálogo político “sério, transparente e orientado para resultados concretos”, e que o Governo assuma “compromissos efetivos de coesão territorial, em linha com as exigências manifestadas pelo presidente da Câmara de Seia”.
Para os Jovens Associados para o Desenvolvimento Regional do Centro, só assim se evitará que “as soluções propostas não se transformem em novos fardos para as comunidades locais, mas sim em oportunidades de desenvolvimento e prosperidade sustentada para toda a região Centro e os territórios do interior”.
A Câmara de Seia já solicitou uma “audiência urgente” à ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, que, na terça-feira, anunciou que o concurso público para a construção da barragem de Girabolhos vai ser lançado até final de março.
“Vou fazer um despacho a solicitar à Agência Portuguesa do Ambiente (APA) para lançar o concurso de Girabolhos até ao final de março”, informou Maria da Graça Carvalho, em Coimbra, onde participou numa reunião daquela entidade sobre a situação no Mondego e definição e articulação de medidas de mitigação e controlo de cheias na região.
A APA vai agora definir o calendário da construção e dos objetivos da barragem de Girabolhos.
O projeto abrange território dos concelhos de Seia e Fornos de Algodres, no distrito da Guarda, e de Nelas e Mangualde, no distrito de Viseu.
A governante avançou ainda que o vencedor do concurso público irá receber uma compensação, “pelo trabalho público que faz por controlar as cheias”.
A construção da barragem de Girabolhos está incluída na estratégia nacional ‘Água que Une’ para o abastecimento e distribuição eficiente de água.
Era um de 10 novos empreendimentos do Programa Nacional de Barragens de Elevado Potencial Hidroelétrico, lançado pelo governo de José Sócrates, mas a sua construção foi cancelada em abril de 2016, quando já tinha sido concessionada à Endesa.