Um jovem de 23 anos, ex-emigrante no Luxemburgo, está a ser acusado pelo Ministério Público de furto, tentativa de violação do Segredo de Estado e espionagem, após um caso que mistura hotéis, embaixadas, perseguições em Lisboa e identidades falsas, numa trama que parece saída de uma série de espionagem.
Segundo a acusação, a que o Correio da Manhã teve acesso, o caso começou em fevereiro de 2025, quando a GNR comunicou à Polícia Judiciária (PJ) o furto de uma “chave mestra”, documentos e equipamentos informáticos num quarto do Tryp Lisboa Caparica Mar, ocupado por um militar sueco envolvido num exercício da NATO. A investigação revelou que o jovem se apresentava com identidades falsas e contactava elementos ligados à embaixada da Federação da Rússia.
Durante a operação encoberta montada pelo DCIAP e pela Unidade Nacional Contra-Terrorismo (UNCT) da PJ, o jovem não seguiu as instruções, dirigindo-se ao Metro de Lisboa para recolher aparelhos informáticos e pendrives. Foi ainda fotografado a entregar um desses equipamentos a um diplomata russo.
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O processo envolve ainda um inspetor da PJ que acabou involuntariamente envolvido na trama por tentar ajudar um vizinho, uma viatura suspeita que perseguiu a coluna da polícia em Lisboa e a detenção anterior do jovem na Ucrânia por suspeitas de espionagem.
De acordo com o Ministério Público, o jovem tentou iludir a investigação com “meias verdades” e detalhes confusos, enquanto persistem dúvidas sobre contatos anteriores com agentes russos. Apesar das suspeitas graves, o conteúdo das informações entregues a diplomatas russos não pôde ser totalmente apurado.
Atualmente, o jovem encontra-se em prisão preventiva, enquanto o DCIAP e o MP mantêm a investigação sobre os possíveis contactos internacionais do arguido.