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José Diogo quer continuar com Agenda Setting depois de ter cedido a marca a outra empresa

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| INVESTIGAÇÃO NDC |

Na sequência do que Notícias de Coimbra divulgou, em exclusivo, sobre a sentença de declaração de insolvência da Agenda Setting – Processamento de Dados, Lda, fomos, de novo, consultar o processo da agência que tem como sócio-gerente  José Manuel Vieira Fernandes Leitão Diogo.

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Apesar da maioria dos credores não acreditar na viabilidade da Agenda Setting, José Diogo requereu  ao tribunal que anule a sentença de morte da empresa, manifestando o desejo de ser designado admnistrador da massa da insolvente e de apresentar um plano de continuidade da sociedade que ainda apresenta como sede o local onde já não se encontra desde o tempo em que despediu todos os colaboradores locais.

A interposição de recurso ainda não foi aceite pela juíza titular do processo, mas caso tenha eficácia, terá de ser apreciado por uma instância superior, no caso, o Tribunal da Relação de Coimbra.

Credores contactados por NDC afirmam que  isto não passa de uma alegada  estratégia para adiar  a resolução do problema, existindo mesmo quem entenda que pode estar perante  uma eventual manobra dilatória, o que poderá levar mesmo à intervenção do Ministério Público, iniciativa que será do agrado dos advogados de alguns dos prejudicados neste processo.

Entretanto, NDC apurou que José Diogo já cedeu a Marca Registada Agenda Setting à  Valor de Fundo Lda, sociedade que partilha com Luís Miguel Viana, pois ambos consideram que a mesma é “uma referência”, aproveitando assim o nome que esteve no mercado durante os últimos 20 anos, passando a Valor de Fundo, fundada em 2010, a trabalhar “sob a marca agenda Setting”.

Segundo informação constante no processo consultado por NDC, a Autoridade Tributária já declarou que a Agenda Setting não tem património.

Com mais de 20 de existência, a Agenda Setting, que tem agora José Manuel Vieira Fernandes Leitão Diogo como único sócio-gerente, tem feito transações sobretudo com entidades ligadas à administração central e local, mas chegou a trabalhar a comunicação do grupo MMM, que detém o Fórum Coimbra e o Retail Park Mondego.

Nos últimos tempos, José Manuel Diogo, juntamente com o seu sócio Luís Miguel Viana,  operam também através de outra sociedade, a Valor de Fundo, entidade que terá feito as campanhas eleitorais de José Manuel Silva e Manuel Machado, sendo depois contratada, por ajuste directo, pela Ordem dos Médicos e  pela Câmara Municipal de Coimbra.

A facturação da insolvente apresenta grande instabilidade, tendo facturado 356 253,65€ em 2011, 280 696,76€ em 2013 e 189 194,79€ em 2012. No último ano regista um lucro de 1 343,64€, mas em 2012 declara prejuízo de 36 215,02€  em 2011 de  54 612,15€.

José Diogo, auto intitulado especialista em agências  secretas, chegou a dar entrevistas onde se gabava de ser sócio da empresa do sector  que  conseguia mais contratos por ajuste directo.

O que não deixa de ser estranho, pois a Agenda Setting está longe de ser uma das grandes empresas da área da comunicação, mas é verdade que, por exemplo,  no tempo em que José Sócrates foi Primeiro-ministro e Laurentino Dias tutelava a Secretaria de Estado do Desporto, foram responsáveis pelo lançamento dos centros de Alto Rendimento, altura em que AS beneficiou de ajustes directos com as Câmaras de Lamego, Gaia, Nazaré, Peniche ou Caldas da Rainha, contratos que obtinha através da “proximidade” com  o Instituto do Desporto.

A comunicação da Plataforma logística do Poceirão também foi assegurada pela Agenda Setting, trabalho realizado quando Mário Lino tutelava o Ministério das Obras Públicas e Ana Paula Vitorino era a Secretária de Estado dos Transportes do Governo então liderado por aquele que anos depois de transformaria no detido mais famoso de Portugal.

José Diogo chegou a ser acusado de um crime de co-autoria de por causa do seu envolvimento em negócios de “venda” de tractores num esquema que envolvia a Federação dos Produtores Florestais de Portugal e o Fundo Florestal Permanente e tinha como pivot Ricardo Machado, que entretanto terá optado por viver em Angola.

Fonte ligada a esse processo adiantou-nos  ”que foi extinta a responsabilidade criminal relativa a todos os arguidos relativamente ao crime de burla qualificada pelo artigo 206.º, do Código Penal, que, entre outros, prevê o “perdão” quando a ”coisa furtada ou ilegitimamente apropriada for restituída”.

Recordamos que no limiar desta década a Agenda Seeting foi alvo de buscas por parte da Polícia Judiciária.

O pedido de insolvência da Agenda Setting foi efectuado por Alexandra Taborda, ex-directora financeira da sociedade que teve sede na Estrada de Eiras e que agora dá como morada um andar na rua do Brasil, onde, como NDC verificou,  funciona a empresa que lhe presta(va?) serviços de contabilidade, o que não terá ajudado à notificação do gerente e da sociedade, pois grande parte das comunicações foram devolvidas ao remetente (Tribunal).

A antiga funcionária reclama o pagamento de 21 303, 82 Euros, pagamento relativo à rescisão de contrato por justa causa, por falta de pagamento de salários, o que mereceu a contestação da Ré Agenda Setting, mas não convenceu o Tribunal da Comarca de Coimbra.

A Agenda Setting é representada pelo escritório de Dias Ferreira, o irmão de Manuel Ferreira Leite, que José Diogo não conseguiu levar à presidência do Sporting, mas que recentemente voltou à ribalta graças ao seu envolvimento no chamada escândalo GetEsay, que a RTP garante estar a ser alvo de investigação por parte da Polícia Judiciária.

Consultados os balancentes que estão disponíveis no processo constata-se que grande parte dos credores e devedores são “parceiros estratégicos” da Agenda Setting e empresas controladas por José Diogo, várias sem actividade, onde se incluem a Pragmino, Loja das Notícias, BSCSG, Informacion Capital (que tem 5% da AS), Valor de Fundo, Visual Virtual… São “saldos parados”, como alegou a antiga directora financeira, na ordem dos 80%, o que na sua opinião indicia a “dificuldade da empresa  em fazer face às dividas”.

Dividas onde aparece o BES em primeiro lugar, logo seguido do Santander Totta. A Agenda Setting deve 293 107, 36 Euros  ”banco mau”  e mais de 50 000 à entidade bancária controlada por espanhóis.

Fonte  da banca estranhou a concessão de crédito tão elevado a uma empresa cuja facturação média nos últimos 3 anos rondou os 250 000, oo, registando prejuízos no triénio 11/13 na ordem os 100 000, oo€. Um empresário próximo de José Diogo,  contou a NDC que o empresário tinha alegadas  relações privilegiadas com um quadro superior do BES, pessoa que será responsável por uma boa parte do crédito mal parado que o agora Novo Banco tem junto do universo empresarial de Coimbra.

Segundo os balancetes disponíveis nos autos, José Diogo “deve” cerca de 185 mil Euros à  sua Agenda Setting, sendo 30% deste valor relativo a transacções com cartão de crédito.

No processo é referido um valor de 60 000 Euros referente a gratificações, mas até agora não foi possível apurar o(s) destinatário(s) desse valor.

Na lista de credores encontramos ainda o Porto Canal, Cision, Marsil (que partilhou negócios e instalações nas Amoreiras com a ré), bem como de empresas que não estão na área dos media.

Confrontados com estes dados, quando foram prestar depoimento na qualidade de testemunhas, duas pessoas conhecedoras da situação  não se mostraram confiantes no futuro da AS. Tiago Patrão, do BES, afirma que a eventual “viabilidade depende da boa vontade dos credores”. Já Margarida Matias, da empresa de contabilidade da AS,  admitiu a incobrabilidade de créditos da requerida.

Perante este cenário, a Juíza Leonor Gusmão, titular do processo, não teve outro remédio senão proferir sentença de insolvência, mais não seja porque não se prefigurava viável a apresentação de um plano de insolvência, afigurando-se mais simples a liquidação do património da devedora, tendo então, perante a falta de liquidez, prescindido da realização da assembleia de credores, pois a “superioridade manifesta do passivo perante o crédito”, coincide, em regra, com a possibilidade de cumprimento de pagamentos por parte da devedora.

Para a história da Agenda Setting fica a forma “peculiar” como conquistavam clientes na esfera governamental e municipal e as faustosas festas que deu na Quinta das Lágrimas ou na Casa da Lousã, para onde convidou conhecidas figuras da vida artística, jornalismo e política, o que decerto pode inspirar uma futura crónica de José-Manuel Diogo  (que assina com e sem traço), no Diário de Coimbra, onde escreve mais ou menos o que por vezes publica na Visão.

Também pode utilizar o espaço que passou a dispor no Jornal de Notícias, onde escreve desde que a nova direcção tomou posse, estando por apurar se a “contratação” contou ajuda de uma sua colaboradora, senhora próxima de um dos novos líderes do jornal liderado por Afonso Camões, jornalista que, segundo o Correio da Manhã, terá sido indicado por José Sócrates para orientar o jornal portuense.

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