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Jardim Botânico fala às crianças sobre diversidade através das plantas

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No Jardim Botânico da Universidade de Coimbra (UC), uma viagem por um espaço com plantas de todo o mundo é também uma oportunidade para se falar de diversidade e de integração a turmas com crianças migrantes.

botanico

As crianças de uma turma do 4.º ano da escola básica de Almedina correm de uma árvore para outra, no Botânico de Coimbra, à procura das origens ou nomes das plantas, num exercício final de mais uma das sessões do projeto “A nossa casa é verde”.

Pelo jardim, descobriram que o papiro vem do Egito, viram sequoias, um cedro dos Himalaias, o inhame – “uma planta cosmopolita” que existe em vários sítios -, ou estrelícias que “são africanas”, explicava o monitor Filipe Correia às crianças.

O projeto-piloto, desenvolvido entre a associação Integrar e o Botânico, que arrancou no final de fevereiro, envolve uma turma da Almedina e outra do 5.º ano da Escola Silva Gaio, procurando através das plantas falar-se de diversidade e de diferentes culturas.

“O conhecimento da diversidade que nos rodeia é sempre um elemento integrador. Conhecendo aquilo que nos rodeia, sentimo-nos mais confortáveis”, disse à agência Lusa o diretor do Jardim Botânico, António Gouveia, referindo que o projeto permite também trabalhar “com o património cultural e conhecimento de biodiversidade que cada uma das crianças tem”.

“Todas trazem uma herança cultural sobre o que são as plantas, que plantas usam para cozinhar ou para fazer o chá”, afirmou, sublinhando que o Jardim Botânico, por ser um “espaço para onde vêm plantas de todo o mundo é um bom espaço para se falar de movimentação e da diversidade”.

Joana Oliveira, da cátedra UNESCO em Biodiversidade e Conservação para o Desenvolvimento Sustentável na UC, realça que durante as sessões não se fala diretamente da integração.

“As sessões são um veículo para se conhecer as plantas, mas também para se falar de culturas, diferentes tradições, de forma inclusiva”, elucidou, sublinhando que o projeto até já levou uma das crianças a levar para a escola “uma fruta de Angola” para dar a conhecer aos colegas.

As duas turmas já tiveram sessões na escola, no Jardim Botânico e fizeram uma visita de estudo na zona da Figueira da Foz, faltando ainda uma visita à Quinta dos Olivais, da Associação Integrar.

“A ideia depois é serem preparadas atividades, que vão estar disponíveis em conteúdo ‘online'” para que qualquer escola possa utilizar, contou a vice-diretora do Botânico, SSílvia Castro.

Segundo a professora da turma do 4.º ano, Isabel Santiago, as crianças têm aderido ao projeto e tido prazer em aprender coisas novas.

“Há coisas que nunca imaginaram. Não sabiam que, por exemplo, a laranja ou o tomate não eram de cá. Isto desperta-lhes a curiosidade por coisas novas, motiva-os”, frisou.

Souare, de nove anos, e André, de dez anos, terminavam o exercício, em que procuraram plantas de diferentes continentes e identificaram determinado tipo de folhas.

“Tem sido bom. É muito melhor do que estar na sala”, admitiram, sublinhando que viram plantas de “muitos sítios diferentes”, da China à Austrália.

“Aprendemos muitas coisas: não devemos destruir as plantas, como é que nascem os frutos e que há bandeiras de países que têm plantas”, contam Mariana, de nove anos, e Tiago, de 12 anos, realçando que o que mais gostaram foi “conhecer árvores novas” que não conheciam.

“Estar no Jardim Botânico é fazer uma viagem pelas plantas de todo o mundo, é também explorar a origem e as culturas dos países dessas plantas. Dessa partilha do conhecimento do mundo verde, fazemos com que exista a partilha de conhecimento e integração das culturas”, concluiu Sofia Castro.

O projeto “A nossa casa é verde” é financiado através do Programa Integra da Ciência Viva e conta com o apoio da Cátedra UNESCO em Biodiversidade e Conservação para o Desenvolvimento Sustentável.

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