Portugal

Já se sabe o que pode ter estado na origem do apagão

NOTÍCIAS DE COIMBRA | 10 meses atrás em 30-04-2025

Imagem: depositphotos.com

Uma súbita quebra na produção de energia solar no sul de Espanha terá estado na origem do apagão que, na passada segunda-feira, 28 de abril, deixou milhões de pessoas sem eletricidade em Portugal e Espanha.

Em apenas cinco segundos, desapareceram 15 gigawatts (GW) do sistema – o equivalente ao consumo de mais de 11 milhões de habitações –, provocando uma instabilidade crítica na rede elétrica.

Segundo Eduardo Prieto, responsável operacional da rede elétrica espanhola, a quebra de produção causou uma forte oscilação nos fluxos de energia, levando à desconexão da rede espanhola com a francesa. Este corte abrupto resultou no colapso do sistema ibérico, afetando também Portugal, que naquele momento importava cerca de 30% da eletricidade consumida, pode ler-se no Correio da Manhã.

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As causas exatas do incidente continuam sob investigação, mas tudo aponta para desequilíbrios provocados pelo aumento exponencial da energia fotovoltaica. Especialistas alertam que, apesar de limpa, a produção solar é volátil e complexa de gerir, especialmente quando não há consumo suficiente para absorver o excesso gerado.

Na última semana, segundo o El Mundo, registaram-se picos de produção solar a horas semelhantes todos os dias, culminando esta segunda-feira num efeito dominó que afetou centrais nas regiões da Andaluzia, Extremadura, Castilla-La Mancha e Aragão. Um episódio semelhante, embora menos grave, ocorreu dias antes, obrigando à paragem temporária de uma refinaria da Repsol em Cartagena e interferindo com comboios de alta velocidade em Espanha.

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, prometeu transparência total na investigação e garantiu que serão apuradas responsabilidades, caso se comprove falha dos operadores privados: “O que aconteceu não pode voltar a repetir-se.”

A operadora Red Eléctrica já tinha emitido alertas, há dois meses, para os riscos de desconexão devido ao excesso de produção fotovoltaica. A empresa afastou, entretanto, a hipótese de ciberataque, afirmando que não foram detetadas intrusões. Ainda assim, tanto o Centro Nacional de Inteligência (CNI) como a Audiência Nacional espanhola estão a investigar.

Em Portugal, o Governo quer acelerar a capacidade de resposta em caso de falha semelhante. Está em cima da mesa o reforço das centrais do Alqueva e Baixo Sabor com capacidade de arranque autónomo, juntando-se às já existentes Tapada do Outeiro e Castelo de Bode. Atualmente, a resposta técnica é eficaz, mas considerada “lenta” para restabelecimentos em larga escala.

A Associação Portuguesa de Energias Renováveis (APREN) defende que este apagão mostra a necessidade urgente de investir numa rede mais robusta, interligada e tecnologicamente preparada para os desafios da transição energética. Já Mário Guedes, ex-diretor-geral da Energia, vê no episódio um sinal claro da dependência energética nacional.

Recorde-se que a REN – Redes Energéticas Nacionais – está maioritariamente em mãos estrangeiras desde 2012. O maior acionista é o grupo chinês State Grid, com 25% do capital, seguido por uma ‘holding’ ligada à família de Amancio Ortega, fundador da Zara. O Estado português deixou de ter qualquer participação na REN há mais de uma década.