Região
“Já passámos por isto”. População do Baixo Mondego preocupada mas prevenida e enaltece avisos
Os residentes das localidades da margem esquerda do rio Mondego em Coimbra estão a tomar medidas de prevenção para um eventual cenário de inundações, admitindo preocupação, mas enaltecendo os alertas que têm vindo a ser feitos.
Em Vila Pouca, a escassos metros dos campos agrícolas, Diamantino Bento admitiu que está “com medo”, tendo já retirado carros e bloqueado as portas de casa com sacos de areia.
“É o que se pode fazer, já passámos por isto”, disse, referindo-se às cheias de 2001 que afetaram também a localidade da União de Freguesias de Taveiro, Ameal e Arzila.
Diamantino Bento notou que a GNR já esteve lá há quatro dias e mostrou-se agradado com alertas que têm sido feitos pelas autoridades.
“Aqui já estamos todos a contar com alguma coisa”, afirmou, lembrando que, em 2001, o alerta chegou “quase em cima da hora”.
“As autoridades] alertam bem. Mas também não podem fazer mais nada, têm de esperar como eu”, acrescentou.
Mais à frente, em Reveles do Campo, Fernando André, agricultor, já retirou seis toneladas de arroz que tinha armazenado, assim como equipamento, como alfaias e ceifeiras, e elevou outros materiais.
“[É] tentar salvaguardar o máximo possível”, afirmou, admitindo “receio que o dique [na zona dos Casais] possa rebentar”.
“Não estou a ver medidas para reforçar a margem esquerda”, assinalou o agricultor que defendeu a colocação de mais sacos de areia nas zonas laterais do dique.
“Ficávamos mais descansados”, referiu à Lusa.
Em Carregais, Graça Mateus disse que “nem apetece estar em casa” e contou que, na última noite, já foi dormir fora e, por isso, “tudo em ordem” caso seja necessário sair.
Como medida de prevenção já elevou alguns dos seus bens dentro de casa, à semelhança do que fez Isabel Caldeira.
“Acho que tivemos mais informação, porque da outra vez [em 2001] fomos apanhados de surpresa”, atirou, salientando que, nessa ocasião, só ficou “com as camas” e teve de começar do zero.
“Tenho medo, mas não demonstro”, acrescentou.
De Vila Pouca à Espadaneira, já na União de Freguesias de São Martinho do Bispo e Ribeira de Frades, são várias as habitações cujas portas estão bloqueadas com sacos de areia, como a de Flávio Barata.
“Pelo sim, pelo não, para não estragar o que temos”, justificou, acrescentando que os alertas são importantes.
“É importante prevenir, já vemos casos de gente que perdeu tudo”, referiu.
Em Pé de Cão, o Centro Social de São João, com 47 idosos, tem também um plano de evacuação, caso seja necessário retirar utentes, segundo a diretora técnica, Daniela Braz.
Já na unidade de Casais de uma empresa de salga, secagem, demolha e ultracongelação de bacalhau, que tem estado encerrada por falta de eletricidade, não foi tomada nenhuma medida preventiva, confirmou à agência Lusa um dos administradores.
“Temos um bocadinho de altura ainda [naquela zona], não acreditamos que a água possa lá chegar”, disse Joselito Lucas.
A Escola Básica 2.3 Inês de Castro será o refúgio para quem reside em São Martinho do Bispo e a Escola Básica 2.3 de Taveiro para as populações de Ribeira de Frades, Taveiro, Ameal e Arzila.
O Agrupamento de Escolas Coimbra Oeste confirmou à Lusa que está tudo preparado para instalar a população em caso de inundações.