Coimbra
“Isto faz lembrar as grandes cheias de 2001″: Retira-se maquinaria na Quinta da Giralda em Coimbra
O Dique dos Casais, localizado junto à ponte da A1, na zona de Taveiro, encontra-se em risco iminente de rebentar, devido à forte precipitação das últimas horas e à subida acentuada do caudal do rio, provocando momentos de grande apreensão entre os agricultores locais.
No local, o Notícias de Coimbra acompanhou os trabalhos de retirada de maquinaria agrícola e de adubos na Quinta da Giralda, uma das explorações situadas junto ao dique. Os agricultores estão a agir preventivamente para minimizar prejuízos, temendo um cenário semelhante ao das grandes cheias de 2001.
Em declarações ao Notícias de Coimbra, Carlos Laranjeiro, responsável pela quinta, afirmou que a situação é “de grande preocupação”.
“Neste momento, com tanta chuva, o rio vai cheio. Está quase a transbordar e o dique está na iminência de rebentar a qualquer momento”, referiu.
Segundo o agricultor, a exploração agrícola mobilizou vários meios nas últimas horas para retirar bens em risco.
“Tínhamos três tratores a trabalhar. A maquinaria já saiu toda daqui e estamos agora a tentar retirar cerca de 15 toneladas de adubo que ainda estão no armazém”, explicou.
Os trabalhos decorrem há cerca de duas horas, desde que foi identificado o risco iminente.
“Desde que soubemos que este risco existia, começámos imediatamente a retirar tudo o que fosse possível”, acrescentou.
Carlos Laranjeiro sublinha que a situação faz recordar episódios passados.
“Isto faz lembrar as grandes cheias de 2001. Quando este dique rebentou, foi um mar de água. Ficou tudo completamente inundado”, recordou.
A preocupação estende-se não só aos agricultores, mas também à população residente nas proximidades dos campos agrícolas.
“Isto é mau para nós, mas também para a população que vive encostada aos campos. Essas pessoas vão certamente ter dissabores com tanta água”, alertou.
Para além das inundações, o mau tempo provocou ainda danos materiais.
“Algumas telhas não suportaram o peso e acabaram por rebentar. Mas agora o principal problema são mesmo as inundações”, disse.
Segundo o agricultor, a rápida subida do nível da água foi inesperada.
“Ontem ainda havia uma margem de segurança, embora mínima. Hoje a água disparou”, concluiu.
A situação continua a ser acompanhada pelas autoridades, enquanto os agricultores tentam proteger os seus bens junto ao Dique dos Casais, que permanece sob vigilância apertada.