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Investigadores da Universidade de Coimbra testam técnica inovadora para a orientação do tratamento no cancro do pulmão

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Liliana Damas, Ivanna Hrynchak, Antero Abrunhosa, Magda Silva, Sónia Silva, Marta Cró e Luís Pires

Uma equipa de investigadores da Universidade de Coimbra (UC) testou, pela primeira vez em Portugal, a Imuno-PET, uma técnica inovadora que pode ajudar a prever a resposta aos tratamentos de imunoterapia, terapêutica utilizada em doentes com cancro do pulmão. Este exame pioneiro tem potencial para vir a integrar os exames de estadiamento no cancro do pulmão, permitindo identificar a terapêutica potencialmente mais adequada para cada doente. A técnica está já a ser utilizada em doentes com diagnóstico de cancro do pulmão de Coimbra e Leiria, como parte de um estudo clínico a decorrer no Instituto de Ciências Nucleares Aplicadas à Saúde (ICNAS) da UC.

Sónia Silva, aluna de doutoramento na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC), e também médica pneumologista e coordenadora da Pneumologia Oncológica no Serviço de Pneumologia do Centro Hospitalar de Leiria, destaca que a Imuno-PET pode vir a permitir «selecionar melhor os doentes no futuro para o tratamento mais indicado» e «impedir que se possa perder tempo, ou até mesmo o doente, com terapêuticas que não resultarão em resposta e controlo da doença».

A utilização desta técnica permite fazer uma avaliação de corpo inteiro do doente, sinalizando as zonas que estão afetadas pelo cancro e prevendo a resposta de doentes ao tratamento de imunoterapia, uma das terapêuticas mais promissoras utilizadas em doentes com cancro de pulmão em estádio avançado. 

Atualmente, o cancro do pulmão é a «principal causa de morte por cancro no nosso país, tendo uma incidência crescente e sendo também um dos mais frequentes», contextualiza Sónia Silva. É também «mais agressivo e isso está muito relacionado com o facto de os doentes já chegarem com tumores em estados avançados, porque os estádios precoces, que são os operáveis, muitas vezes não dão sintomas», sublinha. Nestes casos avançados, a doença já não está apenas nos pulmões, mas em vários órgãos, o que corresponde ao estádio IV.

A utilização pioneira desta técnica está a decorrer no âmbito de um estudo clínico envolvendo o Serviço de Pneumologia do Centro Hospitalar de Leiria (CHL) e o Serviço de Pneumologia do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), em colaboração com o ICNAS. O estudo surge no âmbito do projeto de doutoramento de Sónia Silva, orientado por Antero Abrunhosa, diretor do ICNAS, e por Carlos Robalo Cordeiro, diretor da FMUC.

Os ensaios clínicos desenvolvidos até ao momento têm sido realizados com doentes com diagnóstico de cancro do pulmão de não pequenas células (o mais prevalente), indicados para fazerem um tratamento de imunoterapia. Os doentes fazem todos os exames habituais e recebem o acompanhamento usual, realizando a Imuno-PET como uma técnica de diagnóstico extra. Sónia Silva destaca que o fator inovador deste exame reside no facto de «ter uma informação de corpo inteiro, de como toda a doença se comporta, além da biópsia e da habitual PET». Num primeiro caso clínico, já em curso, o doente está a responder bem: «a Imuno-PET fixa nos locais onde está a responder à terapêutica, estando concordante com a resposta que está a ter ao tratamento», destaca a doutoranda da Faculdade de Medicina da UC. 

Sobre o contexto deste ensaio clínico, Sónia Silva explica que «nos últimos 15 anos, tem havido um boom de terapêuticas para o cancro do pulmão, com muitas terapêuticas inovadoras a surgir, que contribuem para a melhoria da qualidade de vida e sobrevida dos doentes, mas continua, mesmo assim, a precisar-se de mais», nomeadamente «selecionar melhor os doentes para os tratamentos mais adequados».

Paralelamente, espera-se que a Imuno-PET possa vir a contribuir também para a sequenciação terapêutica, permitindo a orientação relativamente à duração ideal do tratamento, por se tratar de um exame que, não sendo invasivo, nem causador de dor, é mais tolerável pelos doentes.

A Imuno-PET não vem substituir outros exames de diagnóstico – como a biopsia ou a habitual PET –, mas pode vir a funcionar como uma técnica complementar que vai ajudar a tornar o acompanhamento clínico do doente mais célere e eficaz ao permitir perceber a resposta à terapêutica.

Antero Abrunhosa salienta que «este estudo clínico tem sido possível graças à excelente colaboração existente entre o ICNAS, a FMUC, o CHUC e o CHL e à existência de uma equipa multidisciplinar envolvendo químicos, físicos, engenheiros, técnicos e médicos que trabalham em conjunto para tornar possível um projeto que liga a excelência da investigação à melhoria dos cuidados de saúde nos hospitais».

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